Estados Unidos e Irã suspendem bombardeios enquanto esforços diplomáticos buscam reduzir tensões

A suspensão dos bombardeios abre espaço para negociações, mas a divisão interna no Irã pode dificultar um acordo duradouro entre as partes.

Imagens divulgadas pelo CENTCOM mostram navios de guerra da Marinha dos EUA no Oriente Médio

Os exércitos dos Estados Unidos e do Irã suspenderam, nas últimas horas, a intensa troca de bombardeios que dominou o Oriente Médio nos últimos dois dias. Uma fonte americana, em entrevista à CNN, revelou que esforços diplomáticos estão sendo realizados nos bastidores para reduzir as tensões entre os dois lados envolvidos no conflito.

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Imagens de satélite exclusivas, analisadas pela CNN em parceria com o Instituto para Ciência e Segurança Internacional, indicam que o Irã pode estar tentando reerguer suas instalações nucleares danificadas durante os recentes ataques. As imagens mostram movimentações em locais como Parchin e Pickaxe Mountain, onde veículos foram vistos entrando e saindo de túneis nas últimas semanas.

Divisão interna no regime iraniano complica negociações

Lourival Sant Anna, analista internacional da CNN, apontou que um dos principais obstáculos nas negociações é a divisão interna do regime iraniano. “Não existe um Irã. Existem dois Irãs”, afirmou ele. Para Sant Anna, de um lado estão os pragmáticos que governam oficialmente o país e que assinaram um acordo com Donald Trump, buscando liberar ativos congelados, encerrar sanções e retomar a venda de petróleo.

Do outro lado está a Guarda Revolucionária Islâmica, que se empenha em controlar o Estreito de Ormuz e preservar o programa nuclear do país. Essa dualidade se intensificou após a morte de Ali Khamenei, que atuava como mediador entre essas duas correntes do regime. “Trump e Netanyahu decapitaram o regime, mataram Ali Khamenei e eliminaram os moderados que estavam controlando esse conflito”, comentou o analista.

Programa nuclear iraniano e violação de acordo

As imagens de satélite revelam que semanas após os ataques americanos e israelenses, coberturas temporárias foram colocadas sobre as crateras deixadas pelas bombas no complexo de Parchin. Posteriormente, essas coberturas foram removidas enquanto caminhões betoneiras eram avistados nas proximidades — uma ação interpretada por especialistas como uma tentativa do Irã de reparar os danos.

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De acordo com especialistas consultados pela CNN, essa atividade pode ser uma violação dos termos acordados com os Estados Unidos, que exigiam a manutenção do status quo. Para Lourival Sant Anna, as evidências sobre o programa nuclear mostram que o Irã mantém um plano paralelo que seguirá independente dos acordos estabelecidos. “Assim como não há só um Irã, também não há só um programa nuclear.

Há um programa civil e um militar coexistindo”, explicou.

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O analista ressaltou que essa desconfiança perdura há mais de 20 anos e foi exacerbada pela situação atual. “Agora o mundo terá de lidar com esse Irã ambivalente que não cumprirá acordos”, concluiu Lourival Sant Anna.