Estados Unidos celebram 250 anos de independência em 2026 e enfrentam desafios internos à democracia

Os Estados Unidos, ao celebrar 250 anos de independência, enfrentam desafios internos que testam sua democracia e seu papel como potência global.

Um bombardeiro estratégico B-52 Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos decola da RAF Fairford em 19 de março de 2026 em Fairford, Inglaterra

Os Estados Unidos celebram 250 anos de independência em 2026, mantendo – se como a maior potência econômica, militar e tecnológica do mundo. No entanto, a posição do país é bastante diferente daquela que ocupava no auge de sua influência, logo após o colapso da União Soviética.

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Essa análise é feita por Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF, que discute o legado e os desafios atuais da nação.

Brustolin considera a Declaração de Independência de 1776 uma “declaração relativamente bem – sucedida”. Ele observa que a Constituição americana, promulgada em 1787, ainda está em vigor e seus princípios fundamentais “sobreviveram a guerras, depressões econômicas, transformações sociais e crises constitucionais”.

Apesar da durabilidade das instituições americanas ao longo da história, o professor destaca que esse sistema tem enfrentado sérios desafios nos últimos anos.

Desafios internos à democracia americana

O analista menciona que o atual presidente dos Estados Unidos desafiou essa institucionalidade durante seu primeiro mandato. Ele faz referência à invasão ao Capitólio no final do governo anterior, um episódio pelo qual Donald Trump foi julgado sob a acusação de tentativa de insurreição.

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Para Brustolin, esse evento representa um desafio interno significativo para a tradição democrática do país.

Além disso, ele ressalta que os ideais fundadores dos Estados Unidos — inspirados nas teorias do filósofo inglês John Locke e expressos na frase “todos os homens são criados iguais” — sempre foram alvo de contestações ao longo da história. “Isso sempre foi questionado por discriminação racial, questões relacionadas à escravidão e mais tarde pela desigualdade social”, destacou Brustolin.

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A nova ordem mundial

No cenário internacional, o professor aponta que os Estados Unidos continuam sendo líderes globais, mas já não possuem a supremacia incontestável que tinham entre 1990 e os primeiros anos dos anos 2000. Esse período coincide com o fim da Guerra Fria e a queda da União Soviética. “A maioria dos analistas concorda que existe uma predominância contestada do poder dos Estados Unidos nesse momento”, afirmou Brustolin.

Ele argumenta que essa contestação é impulsionada principalmente pelo crescimento da China. Isso introduz uma possível “armadilha de Tucídides” no cenário global — um conceito que se refere à rivalidade entre potências estabelecidas e aquelas em ascensão.

Brustolin acredita que essa questão deve ser aprofundada nas discussões sobre o futuro da liderança americana nos próximos anos.