Estados Unidos celebram 250 anos de independência em 2026 e enfrentam desafios internos à democracia

Os Estados Unidos, ao celebrar 250 anos de independência, enfrentam desafios internos que testam sua democracia e seu papel como potência global.

04/07/2026 04:36

2 min

Um bombardeiro estratégico B-52 Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos decola da RAF Fairford em 19 de março de 2026 em Fairford, Inglaterra
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Os Estados Unidos celebram 250 anos de independência em 2026, mantendo – se como a maior potência econômica, militar e tecnológica do mundo. No entanto, a posição do país é bastante diferente daquela que ocupava no auge de sua influência, logo após o colapso da União Soviética.

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Essa análise é feita por Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF, que discute o legado e os desafios atuais da nação.

Brustolin considera a Declaração de Independência de 1776 uma “declaração relativamente bem – sucedida”. Ele observa que a Constituição americana, promulgada em 1787, ainda está em vigor e seus princípios fundamentais “sobreviveram a guerras, depressões econômicas, transformações sociais e crises constitucionais”.

Apesar da durabilidade das instituições americanas ao longo da história, o professor destaca que esse sistema tem enfrentado sérios desafios nos últimos anos.

Desafios internos à democracia americana

O analista menciona que o atual presidente dos Estados Unidos desafiou essa institucionalidade durante seu primeiro mandato. Ele faz referência à invasão ao Capitólio no final do governo anterior, um episódio pelo qual Donald Trump foi julgado sob a acusação de tentativa de insurreição.

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Para Brustolin, esse evento representa um desafio interno significativo para a tradição democrática do país.

Além disso, ele ressalta que os ideais fundadores dos Estados Unidos — inspirados nas teorias do filósofo inglês John Locke e expressos na frase “todos os homens são criados iguais” — sempre foram alvo de contestações ao longo da história. “Isso sempre foi questionado por discriminação racial, questões relacionadas à escravidão e mais tarde pela desigualdade social”, destacou Brustolin.

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A nova ordem mundial

No cenário internacional, o professor aponta que os Estados Unidos continuam sendo líderes globais, mas já não possuem a supremacia incontestável que tinham entre 1990 e os primeiros anos dos anos 2000. Esse período coincide com o fim da Guerra Fria e a queda da União Soviética. “A maioria dos analistas concorda que existe uma predominância contestada do poder dos Estados Unidos nesse momento”, afirmou Brustolin.

Ele argumenta que essa contestação é impulsionada principalmente pelo crescimento da China. Isso introduz uma possível “armadilha de Tucídides” no cenário global — um conceito que se refere à rivalidade entre potências estabelecidas e aquelas em ascensão.

Brustolin acredita que essa questão deve ser aprofundada nas discussões sobre o futuro da liderança americana nos próximos anos.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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