Esquema de milhões envolve ex-subsecretário do Esporte e empresários locais

A Controladoria – Geral de Minas Gerais investiga suspeitas sérias sobre a Lei de Incentivo ao Esporte (LIE), apontando possíveis irregularidades em transações financeiras envolvendo figuras proeminentes do setor esportivo mineiro.
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O foco da investigação recai particularmente nas relações entre o ex – subsecretário Tomás Tavares Perdigão Mendes e Kellyson Salgado Gomes, empresário que já atuou como coordenador – geral da LIE no Ministério do Esporte durante o governo Michel Temer.
Investigação apura desvios milionários com empresas ligadas aos envolvidos
Kellyson Salgado Gomes é investigado pela Polícia Federal na Operação Fair Play por operar um esquema de suposto desvio totalizando 180 milhões de reais. Esse montante teria sido movimentado através das contas de quatro diferentes empresas; até agora, a investigação apontou uma captação específica em Minas Gerais superior a R 10,9 milhões para ele mesmo.
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Em depoimento à Procuradoria, Mendes afirmou não se recordar do motivo exato dos valores transferidos entre os anos de 2018 e 2020. Contudo, o próprio Tomás Tavares Perdigão Mendes já havia dito anteriormente que as transações estavam ligadas apenas à realização ou apoio de eventos privados, sem qualquer conexão com leis estaduais de incentivo ao esporte.
A Polícia Federal contradiz essa versão apresentando conexões mais profundas: consta nos autos que duas empresas usadas por eles — a TM Sports e LZP —, foram utilizadas para emitir notas fiscais referentes a serviços nunca realizados em Minas Gerais; além disso, foi confirmado que esta última empresa pertence efetivamente a Gomes.
Conexos empresariais no centro histórico
Os indícios apontam um padrão operacional compartilhado. A própria Cemig, controlada pelo governo estadual mineiro, teria investido dinheiro diretamente na realização dos eventos promovidos pelas quatro entidades envolvidas neste esquema financeiro.
As atividades das companhias eram coordenadas de forma intensa: elas trocavam funcionários com frequência entre si e operaram utilizando o mesmo endereço localizado no Centro – BH — local também usado por falsos fornecedores do golpe em questão.
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A situação ganhou mais força após a exoneração da subsecretaria Mendes ocorrida dia 15 de julho. A saída foi dois dias depois que Professor Cleiton (PV) anunciou, durante uma reunião da Comissão de Cultura na Assembleia Legislativa, planos para protocolar requerimentos investigando possíveis casos de corrupção dentro do órgão estatal; ele relatou um forte lobby tentando abafar as apurações.
Impacto das leis estaduais no incentivo ao esporte
Em outro contexto relacionado à Lei de Incentivo ao Esporte em Minas Gerais, houve mudanças significativas nos valores disponíveis por meio de iniciativa parlamentar. Um projeto apresentado pelo deputado militar PL foi responsável por elevar a verba destinada pela LIE.
O valor que poderia ser destinado passou dos R 26,5 milhões registrados ainda em 2023 para atingir os impressionantes R 96 milhões já previstos para 2026; essa mudança veio através do trâmite da proposta resultando na Lei 24.987/24.
Declaração oficial sobre gestão
Apesar das investigações de desvio apontadas pelo estado — onde foi constatada a transferência suspeita entre Gomes (que supostamente lesou ao Erário) e Mendes —, Tomás Tavares Perdigão Mendes manteve sua defesa, afirmando que durante seu período no cargo os projetos seguiram todos os ritos normais.
“Minha chegada contribuiu para uma melhora constante nas fases da lei dos editais. Eu trouxe minha experiência como proponente”, defendeu – se ele ainda; por outro lado, o governo mineiro alegou inicialmente que as exonerações faziam parte apenas do processo natural de reestruturação administrativa.
Posicionamento das instituições envolvidas
A Cemig esclareceu publicamente em setembro de 2024 — após tomar conhecimento sobre a operação policial —, que quaisquer patrocínios realizados ocorreram mediante um processamento regular e foram feitos conforme exigido pela legislação vigente.
Em relação ao caso geral no esporte estadual, os dados mostram uma disparidade: enquanto há suspeitas investigativas envolvendo milhões desviados para poucos empresários ligados à LIE; o incentivo esportivo na região continua sendo sucateado. Gomes e Coronel Henrique se recusaram a comentar as perguntas feitas aos repórteres.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



