Espírito Santo inicia projeto inédito que testa gás natural na secagem do café com investimento

O projeto pioneiro no Espírito Santo visa revolucionar a secagem do café, com potencial para melhorar a eficiência e a qualidade do produto na próxima safra.

24/08/2026 07:53

4 min

A secagem do café é um dos processos pós-colheita que determina a qualidade da bebida na xícara
A secagem do café é um dos processos pós-colheita que determina ...

Um projeto piloto inédito no Brasil está testando o uso de gás natural na secagem do café, com um investimento de R 1 milhão. A iniciativa, que busca avaliar a eficiência e os impactos desse método em comparação à secagem tradicional com lenha e biomassa, teve início na Fazenda Chapadão, localizada em Linhares, no Espírito Santo.

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O cafeicultor Eduardo Bortolini é o responsável pela propriedade onde a experiência começou durante a safra deste ano.

A expectativa é que essa abordagem inovadora se expanda para outras fazendas na próxima safra, embora os dados coletados ainda estejam em análise. O projeto recebeu financiamento inicial de R 1 milhão para sua primeira fase. Fabio Lancelotti, diretor técnico comercial da ES Gás, destacou que o uso da fornalha tradicional exige mais funcionários para monitorar a queima e depende da logística de fornecimento da lenha.

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Colaboração entre instituições

A ES Gás, concessionária encarregada da distribuição de gás natural no Espírito Santo, lidera a pesquisa em conjunto com o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), JDE Peets e Base 27. O projeto também conta com a aprovação e supervisão da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP.

Durante os testes, foram utilizados três tipos diferentes de queimadores para comparar equipamentos e configurações ao longo da safra.

Os primeiros resultados dessa experiência foram divulgados no Vitória Coffee Summit 2026, evento realizado em Vitória (ES) até sábado (22). Dentre os fatores analisados nos testes, o controle da temperatura foi considerado crucial. Lancelotti afirmou que o gás natural permitiu um controle mais preciso da chama durante o processo de secagem do café.

Além disso, foram observados o consumo energético do processo e a análise da combustão para medir a eficiência dos métodos utilizados. Uma análise sensorial também foi realizada para garantir que a qualidade do café não fosse comprometida. Entre maio e agosto deste ano, cerca de 9,4 mil sacas de café foram utilizadas no projeto piloto.

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Desafios e oportunidades da cafeicultura capixaba

A secagem é um estágio crítico após a colheita do café, influenciando diretamente na qualidade dos grãos e na uniformidade dos lotes. Tradicionalmente alimentado por lenha e biomassa, esse processo pode durar até 100 dias durante a colheita, aumentando a demanda por combustível e gerando emissões prejudiciais ao meio ambiente.

O objetivo do projeto capixaba é verificar se o gás natural pode oferecer maior controle térmico e reduzir impactos ambientais.

Contudo, Fabrício Tristão, presidente do CCCV, enfatizou que quaisquer decisões sobre expandir essa tecnologia não serão baseadas apenas no preço do gás em comparação à biomassa. “Geramos milhares de dados para avaliar todas as variáveis: qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade”, comentou Tristão.

O estudo considera quatro pilares fundamentais: viabilidade industrial do processo de secagem, custo, sustentabilidade e qualidade final do café. A participação da JDE Peets foca principalmente na avaliação das características sensoriais do produto resultante desse novo método. “Um processo mais sofisticado pode melhorar significativamente o resultado final”, acrescentou Tristão.

Interesse crescente entre produtores

Antes mesmo das conclusões definitivas do estudo serem apresentadas, o teste já despertou interesse entre outros cafeicultores no Espírito Santo. Muitos produtores já entraram em contato com a ES Gás para discutir a possibilidade de estabelecer pequenas centrais regionais para distribuir gás natural. “O projeto ainda está em fase piloto e há diversas etapas pela frente”, disse Tristão.

A previsão é que novas experiências surjam na safra de 2027 com base nesse modelo desenvolvido em Linhares. “Esperamos que no próximo ano esse piloto esteja multiplicado por várias iniciativas independentes”, afirmou Tristão. Para ele, essa tecnologia pode ser uma importante aliada na modernização da cafeicultura capixaba.

A entidade acredita que qualidade e sustentabilidade são aspectos cada vez mais valorizados pelos compradores internacionais e aprimorar o pós – colheita pode agregar valor ao produto local. “Vivemos um novo momento na cafeicultura onde qualidade, sustentabilidade e inovação andam juntas”, concluiu Tristão.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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