Escravidão Moderna nos Cafezais de Minas Gerais: Relatório Chocante Revela Realidade Alarmante

Relatório Aponta Escravidão Moderna nos Cafezais de Minas Gerais e Repercussão
Um relatório da Business and Human Rights Centre (BHRC), em parceria com a Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (Adere-MG), publicado em fevereiro, gerou forte reação da Mesa Nacional do Café e do Conselho Nacional do Café (CNC).
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A pesquisa, que investigou o cenário de trabalho nos cafezais mineiros, revelou um quadro preocupante de condições análogas à escravidão, com indicadores de trabalho forçado identificados em 100% dos casos analisados. Cada trabalhador relatou, em média, cinco situações de exploração.
A associação Adere-MG e o BHRC responderam à crítica, reafirmando a metodologia da pesquisa e a gravidade das descobertas. A entidade argumentou que a mesa, de forma velada, tenta desqualificar o estudo, ignorando a realidade de violações de direitos trabalhistas e humanos enfrentadas por muitos trabalhadores nos cafezais brasileiros.
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A resposta enfatizou a necessidade de abordar o problema da precarização do trabalho e do crime de trabalho análogo à escravidão, que se tornou um problema endêmico na cadeia produtiva do café no Brasil.
Indicadores de Trabalho Forçado e Condições Precárias
A pesquisa, baseada em entrevistas com 24 trabalhadores rurais – parte de um grupo de 100 resgatados de trabalho análogo à escravidão – apontou dados alarmantes. A média de 67% dos trabalhadores do café não tinham carteira assinada, o que dificultava o acesso a garantias de saúde e segurança no trabalho.
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Além disso, o registro de resgates de trabalhadores em situação de escravidão moderna nos cafezais do Brasil, especialmente em Minas Gerais, ultrapassou 10 mil entre 2017 e 2025, com mais de 700 casos apenas no estado mineiro.
Repercussão e Controvérsias
Após a publicação da matéria do Brasil de Fato MG, o Conselho Nacional do Café (CNC) classificou a pesquisa como uma generalização, argumentando que transformar ocorrências pontuais em uma caracterização generalizada não era correto. A entidade, representante das cooperativas de café, alegou que o estudo representava um ataque indiscriminado ao setor, que, segundo eles, não estava omisso diante dos desafios trabalhistas.
A Mesa Nacional do Café, coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), concordou com essa visão, reconhecendo a importância econômica e social do setor cafeeiro, mas ressaltando que as denúncias eram “imputações indistintas”.
Reações e Denúncias
A Adere-MG e o BHRC contestaram as alegações da Mesa Nacional do Café e do CNC, argumentando que a informalidade e a precarização do trabalho eram problemas endêmicos, que contribuíam para “encobrir práticas desonestas e muitas vezes criminosas”.
A entidade enfatizou que, apesar da pressão de grandes companhias internacionais, a alegação de que os pequenos produtores eram a maioria do setor não justificava a irresponsabilidade trabalhista e social ao longo da cadeia. O BHRC reforçou a importância da atuação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego e do Conselho Nacional do Café com organizações da sociedade civil para libertar trabalhadores da escravidão e da exploração.
Conclusão
A pesquisa e as subsequentes reações destacam a persistência de problemas relacionados aos direitos trabalhistas e humanos no setor cafeeiro brasileiro. A necessidade de um diálogo multissetorial, envolvendo trabalhadores, governo e sociedade civil, é fundamental para enfrentar os desafios e garantir condições de trabalho dignas e seguras para todos os envolvidos na cadeia produtiva do café.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



