Engravidei tomando Mounjaro’: entenda risco da tirzepatida com anticoncepcional

Especialistas alertam que a tirzepatida retarda o esvaziamento do estômago e pode destruir o comprimido antes da absorção.

Especialistas explicam porque precisa ter cuidado com gravidez indesejada durante a utilização do Mounjaro

O alerta sobre o uso das chamadas “canetinhas emagrecedoras” ganhou um novo capítulo neste sábado (12). Especialistas ouvidos pela CNN Brasil explicam que o medicamento Mounjaro, à base de tirzepatida, pode reduzir a eficácia dos anticoncepcionais orais, gerando um risco real de gestações não planejadas.

O termo viralizou entre mulheres que usam o remédio para emagrecer e tomam pílula anticoncepcional. A preocupação não é infundada. Estudos e a própria bula do medicamento, da Lilly Medicamentos, já indicam a necessidade de métodos contraceptivos complementares durante o tratamento.

Por que a pílula perde o efeito?

A explicação está na forma como a tirzepatida age no organismo. O endocrinologista Michel Fernandes detalha que o remédio retarda o esvaziamento do estômago. Com isso, o comprimido do anticoncepcional fica mais tempo exposto ao ácido gástrico, o que pode destruí – lo antes que chegue ao intestino, onde ocorre a absorção.

“O remédio não está preparado para ficar tanto tempo sob a disposição ácida do estômago. Esse ácido vai destruí – lo, e o comprimido não será absorvido da forma adequada, perdendo o efeito”, afirma Fernandes.

A ginecologista Grazielly Teles complementa que os efeitos gastrointestinais do Mounjaro, como vômito e diarreia, também comprometem a absorção. “Se você está diminuindo a absorção desses hormônios, está diminuindo a eficácia do medicamento”, diz a médica.

O que diz a ciência e a bula

Uma pesquisa da Corsrh, Faculdade de Saúde Sexual e Reprodutiva de Londres, reforça os achados. O estudo analisou 40 mulheres e identificou uma redução de 20% na absorção do etinilestradiol (hormônio da classe dos estrogênios) e de 21% na do norgestimato (progesterona) do anticoncepcional, causada pela tirzepatida.

No Brasil, a bula do Mounjaro já traz um alerta claro. “Como existe a possibilidade da redução da eficácia desses anticoncepcionais, recomenda – se o uso de outro método que não seja oral ou acrescentar um método de barreira”, diz o texto do fabricante.

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A empreendedora Amanda Aguiar, de 28 anos, é um dos casos que viralizaram. Ela engravidou durante os três meses em que usou o injetável à base de tirzepatida, mesmo tomando anticoncepcional. “Eu não queria engravidar, porque estava pensando ainda em perder peso.

Nesses 3 meses, eu não sabia que estava grávida”, conta.

Após a descoberta, os médicos orientaram Amanda a interromper o uso do medicamento para preservar a saúde do bebê. “Fiz meus exames e deu tudo certo. Meu bebê mexe normal. O médico disse que eu tinha que parar, porque não tem estudos sobre os efeitos na gravidez”, relata.

O vídeo dela sobre a gestação já ultrapassa 11 mil visualizações. “Hoje não me vejo sem meu filho mais”, finaliza.

Quais métodos são seguros?

Os especialistas são categóricos: o método mais afetado é o anticoncepcional oral. Outras fórmulas que não dependem da absorção pelo sistema digestivo não sofrem a mesma interferência. A recomendação é associar o uso de preservativo.

“O que a gente recomenda é associar com o método de barreira — camisinha feminina ou masculina — ou um outro método para que a mulher fique mais segura, principalmente quem não tem desejo gestacional”, orienta Grazielly Teles.

O endocrinologista Michel Fernandes acrescenta outro ponto: o próprio emagrecimento pode aumentar a fertilidade em mulheres com obesidade ou alterações hormonais. “Ela começa a emagrecer, tem enzimas que tratam o ovário policístico e acaba se tornando mais fértil.

Isso se soma à questão da absorção do remédio”, explica.