Uma engenheira se tornou protagonista de um projeto inovador que busca promover a igualdade e o respeito no ambiente de trabalho. As histórias em quadrinhos da Engenheira Eugênia, criadas pelo Coletivo de Mulheres da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), foram incorporadas à apostila “Práticas de Alfabetização e de Matemática – anos iniciais do ensino fundamental”, uma iniciativa da USP, coordenada por Raphaelle Vicentin, Lígia Gomes e Judith Nuria Maida.
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A história em quadrinho escolhida apresenta uma situação comum enfrentada por mulheres na engenharia: uma engenheira que sofre assédio moral e desqualificação de suas habilidades por ser mulher, como exige um projeto urgente de seu chefe. A atividade proposta vai além do conteúdo, incentivando os estudantes a identificarem essas situações e a refletirem sobre respeito, igualdade e direitos no ambiente de trabalho, através do diálogo.
Simone Baía, engenheira química e diretora da mulher na Fisenge, destaca que essa é uma conquista coletiva que reforça o compromisso da Federação e das mulheres engenheiras com a transformação social. Em um contexto de altos índices de violência de gênero, a iniciativa busca fortalecer a conscientização e o enfrentamento dessa questão, utilizando a comunicação sindical como ferramenta de diálogo e transformação.
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A iniciativa da Engenheira Eugênia já teve grande impacto, circulando em favelas do Rio de Janeiro através do projeto “Viaduto Literário”, em escolas no Pará e recebendo o Prêmio de Direitos Humanos da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra) na categoria cidadã em comunicação sindical.
A obra foi traduzida para o inglês e já circula no movimento sindical internacional.
“Queremos que a Engenheira Eugênia alcance mais espaços, como universidades, sindicatos e escolas”, afirma Simone Baía. O cartum, com 13 anos de existência, tem como objetivo promover a conscientização sobre os direitos das mulheres no mundo do trabalho, abordando temas como assédio moral, violência de gênero, acesso a banheiros femininos em canteiros de obras e combate ao racismo e à LGBTQIAPN+fobia.
A Engenheira Eugênia é uma mulher negra, com 40 anos e 15 de experiência profissional, recém-divorciada com dois filhos – uma pré-adolescente e um menino de 9 anos. A primeira edição, lançada em fevereiro de 2013, aborda o respeito às cláusulas familiares e o direito de férias. A iniciativa pode ser utilizada por interessados, que podem enviar e-mails para [email protected] para acessar os quadrinhos em .
Camila Marins é jornalista da Fisenge e mestre em políticas públicas em direitos humanos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.
