Endividamento das Famílias Brasileiras Alcança Níveis Alarmantes; FGTS em Foco!

O endividamento das famílias brasileiras atinge níveis alarmantes, com 80% enfrentando dificuldades. Medidas do governo e o uso do FGTS geram polêmica

Endividamento Recorde no Brasil

O endividamento das famílias brasileiras alcança níveis alarmantes, com cerca de 80% enfrentando dificuldades para cumprir suas obrigações financeiras. O governo está considerando medidas para mitigar esse alto índice de dívidas, e o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) se tornou um foco de atenção.

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O ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), confirmou que o novo programa Desenrola 2.0, voltado para a renegociação de dívidas, pode permitir o uso de recursos do FGTS, beneficiando aproximadamente 10 milhões de pessoas.

Entretanto, essa proposta gera preocupação entre especialistas e setores econômicos. A avaliação é de que a medida é uma solução temporária e não aborda as causas estruturais do endividamento. A taxa Selic, mesmo após ajustes, permanece no maior nível dos últimos 20 anos, o que agrava a situação.

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Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, argumenta que utilizar o FGTS dessa forma retira o “colchão” de segurança do trabalhador, apenas adiando um problema que persiste na sociedade brasileira.

Consequências do Uso do FGTS

Inhasz destaca que, ao sacar o FGTS para quitar dívidas, não há garantias de que as pessoas não voltarão a se endividar no futuro. Ela defende que o foco deve ser nas causas do endividamento, e não apenas nos efeitos. “Mesmo com emprego, a população enfrenta uma renda muito baixa.

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A dívida se torna quase uma extensão da renda para acessar itens considerados básicos”, explica.

A consultora econômica Tatiana Pinheiro, da FGV EESP, complementa que o uso do FGTS pode resultar em consumo, o que, em um cenário de juros altos, pode levar a novas dívidas e aumentar a inadimplência. Em 2025, o Brasil registrou 9 milhões de novos inadimplentes, e a situação se agravou desde a criação do primeiro programa de renegociação de dívidas em julho de 2023, quando havia 72,9 milhões de inadimplentes, número que subiu para 81,4 milhões em fevereiro de 2026.

Impacto no Setor Imobiliário

Além da Selic elevada, os juros para operações de crédito são ainda mais restritivos. Em fevereiro, o Banco Central informou que a média de juros para crédito às famílias era de 62% ao ano. Flávio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre, observa que as medidas adotadas ajudam a apagar incêndios pontuais, mas não alteram a estrutura de juros altos, nem a dependência das famílias de linhas de crédito caras, como cartão de crédito e cheque especial.

O FGTS, que é uma importante fonte de financiamento habitacional, pode ser afetado por essas medidas. O orçamento aprovado para o setor em 2026 é recorde, com mais de R$ 144 bilhões destinados a investimentos. Segundo a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), o Fundo ajudou mais de 10 milhões de famílias a adquirir a casa própria e movimentou cerca de R$ 1,3 trilhão nos últimos 15 anos, sustentando aproximadamente 2,3 milhões de empregos anuais no setor.

Desafios e Perspectivas

Em 2025, o FGTS financiou mais de 650 mil moradias, contribuindo para a redução do déficit habitacional, que diminuiu em 441 mil famílias entre 2023 e 2024, a maior queda já registrada em um único ano. No entanto, Tatiana Pinheiro alerta que o uso do FGTS para quitar dívidas pode enfraquecer uma das principais fontes de financiamento habitacional, resultando em uma leve restrição ao crédito imobiliário no curto prazo.

Luiz França, presidente da Abrainc, enfatiza que o FGTS foi criado para habitação, saneamento e infraestrutura. Retirar recursos do fundo pode limitar as oportunidades de compra de moradia para aqueles que realmente precisam. Fábio Gallo, professor de Finanças da FGV-SP, compara a situação a “enxugar gelo”, ressaltando que a raiz do endividamento está ligada a problemas econômicos e socioculturais mais profundos, como o descontrole fiscal e a inflação.