Emirados Árabes Unidos anunciam saída da OPEP e abalam o mercado global!
Emirados Árabes Unidos anunciam saída da OPEP! Trump comemora fim do controle da organização. Crise no mercado petrolífero?
O Fim do Controle? A Complexa História da OPEP em 2026
Nos meios de comunicação, especialmente nos países anglo-saxões, tem-se discutido sobre o que parece ser o “início do fim” do poder da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). A OPEP sempre foi vista com desconfiança por Washington e por muitas empresas petrolíferas e governos ocidentais, e a situação atual parece indicar uma mudança significativa no cenário energético global.
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O anúncio inesperado dos Emirados Árabes Unidos, o quarto maior produtor da OPEP, de que deixariam a organização a partir de 1º de maio, para priorizar seus próprios interesses nacionais, foi um ponto de inflexão.
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O presidente Trump comentou sobre a situação com otimismo, destacando que se tratava de um acontecimento inédito na história da OPEP. Historicamente, vários países já haviam se afastado da organização, mas nunca um membro tão importante quanto os Emirados.
A OPEP, que surgiu em 1960 em Bagdá, com a iniciativa do venezuelano Pérez Alfonzo e do saudita Abdullah Tariki, teve como objetivo principal se opor a um cartel de países produtores do chamado “Sete Irmãos” – as principais empresas petrolíferas do Reino Unido e dos Estados Unidos – que controlavam as exportações e buscavam uma parcela maior da renda do petróleo.
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A OPEP, que inicialmente reuniu países da América do Sul e da Ásia, surgiu em um momento de ascensão do Movimento dos Países Não Alinhados, tornando-se a primeira organização de países exportadores de recursos com sucesso.
Um dos principais mitos que cercam a OPEP é a ideia de que se trata apenas de um “clube de produtores”. A organização é frequentemente descrita como tendo uma participação de apenas 30% na produção mundial de petróleo, o que ignora a realidade de que a OPEP ainda reúne a maioria dos principais “exportadores líquidos” de petróleo.
O caso dos Estados Unidos ilustra essa diferença: embora sejam historicamente o maior produtor de petróleo do mundo, desde 1948, os EUA se tornaram um importador líquido de petróleo, consumindo mais do que produzem, apesar do desenvolvimento do “shale oil” (petróleo de xisto) que, atualmente, ajuda a equilibrar essa balança.
Essa complexidade demonstra que a OPEP é muito mais do que apenas um grupo de países produtores.
A história da OPEP também está ligada a eventos marcantes, como o “choque do petróleo” de 1973, que causou um aumento drástico nos preços do petróleo. Embora a OPEP tenha sido inicialmente acusada de provocar esse choque através de um “embargo”, a realidade é que a decisão de reduzir a produção foi tomada por alguns países árabes em apoio à causa palestina.
O que realmente impulsionou o aumento dos preços foi a decisão da OPEP, influenciada pelo Irã e pelo apoio do Xá a Israel, de aumentar a produção com o objetivo de financiar a industrialização do país e reduzir o “superconsumo” dos países ricos.
A imagem da OPEP como um “cartel de xeques ricos” que chantageia os motoristas americanos surgiu dessa interpretação equivocada, alimentando a criação da Agência Internacional de Energia (AIE) em 1974, como uma alternativa à OPEP.
Nos anos 2000, com o crescimento do consumo de petróleo na China e o relançamento da OPEP, liderada por líderes nacionalistas como Chávez e Ahmadinejad, a organização voltou a ter um papel importante no mercado global. A descoberta do “xisto” nos Estados Unidos, que permitiu ao país recuperar a posição de maior produtor mundial, e a crise no Estreito de Ormuz, desencadeada por ataques dos EUA e Israel contra a infraestrutura iraniana, intensificaram a importância da OPEP.
A criação da OPEP+ – uma aliança entre a OPEP e países como a Rússia – e a entrada do Irã no Brics (grupo de países emergentes) demonstram a complexidade e a dinâmica do mercado de petróleo em 2026. A disputa por Ormuz, um ponto estratégico para o controle do petróleo, representa a luta pela influência no Oriente Médio entre os EUA, Israel e Irã, com implicações para a futura dominância energética do mundo.