Eleições 2026: média de partidos por estado na disputa pela Câmara cai 54% em oito anos
Média de siglas por estado na disputa caiu de 31,9 para 17,3 desde 2018, aponta levantamento da UnB.
O número de partidos disputando vagas na Câmara dos Deputados encolheu de forma expressiva nos últimos oito anos. Um levantamento da UnB (Universidade de Brasília) mostra que a média de siglas ou federações concorrendo ao cargo de deputado federal caiu de 31,9 em 2018 para 17,3 neste ano de 2026 — uma redução de cerca de 54%.
Essa queda não é uniforme, mas atinge todos os estados. Em alguns casos, o encolhimento foi ainda mais drástico. O Rio Grande do Norte, por exemplo, viu o número de partidos na disputa cair de 34 para 14. Em Alagoas, a redução foi de 31 para 13.
Já Roraima passou de 32 legendas concorrendo para 14. Os três maiores colégios eleitorais do país também sentiram o aperto: São Paulo foi de 34 para 21 partidos, Minas Gerais de 34 para 20 e o Rio de Janeiro de 33 para 21.
O que explica a queda no número de partidos
Para o cientista político Murilo Medeiros, da UnB, responsável pela análise, os números indicam uma mudança de ciclo na política brasileira. “O eleitor encontra um cardápio partidário bem menos pulverizado do que encontrava há oito anos”, afirmou.
Medeiros aponta uma combinação de fatores que ajudam a explicar essa condensação. Um deles é o fim das coligações proporcionais, em 2017. Outro é a institucionalização das federações partidárias, mecanismo que permite que duas ou mais legendas se unam e atuem como se fossem uma única agremiação.
Na prática, isso reduz o número de candidaturas avulsas e concentra forças.
Há ainda o impacto da cláusula de desempenho, que exige que os partidos atinjam valores mínimos de votos para ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Com patamares mais altos, menos siglas conseguem cumprir a meta.
Leia também
Em 2018, 21 partidos atingiram a cláusula. Em 2022, apenas 13 fizeram o mesmo.
Tendência de compactação deve continuar
O levantamento da UnB indica que o processo não deve parar por aqui. “A eleição de 2026 vai aprofundar o processo de compactação partidária“, afirmou Medeiros. Segundo ele, o novo patamar da cláusula de desempenho tende a aumentar a pressão sobre as legendas menores.
Isso deve estimular novos movimentos de fusão, incorporação e formação de federações no período pós – eleitoral. A tendência é que o número de siglas continue caindo nas próximas disputas, consolidando um cenário político menos fragmentado do que o visto em eleições passadas.