El Niño pode impactar setor elétrico brasileiro com previsão de 97% de intensidade histórica entre
A previsão de um El Niño intenso pode levar a medidas preventivas no setor elétrico, impactando custos e tarifas para os consumidores brasileiros.
A possibilidade de um El Niño com intensidade histórica no segundo semestre acendeu um sinal de alerta no setor elétrico brasileiro. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOA) dos Estados Unidos atualizou suas previsões, indicando uma probabilidade de 97% de que o fenômeno persista entre outubro e dezembro, podendo se estender até o início de 2027.
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Essa situação pode resultar na redução das chuvas em áreas cruciais para a geração hidrelétrica do país.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já está em conversas com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) para discutir medidas preventivas que visam preservar os estoques de água dos reservatórios. Entre as ações consideradas está a possibilidade de despacho de usinas termelétricas fora da ordem de mérito econômico, além da avaliação pelo governo sobre a antecipação da operação de algumas térmicas contratadas.
Medidas Preventivas e Impactos
Embora especialistas garantam que não há risco iminente de racionamento ou apagão, a adoção dessas medidas pode impactar os custos operacionais do sistema elétrico, refletindo nas tarifas pagas pelos consumidores. O principal receio do ONS não está concentrado na região Sul, mas sim na possibilidade de atraso das chuvas na região Norte, onde estão localizadas hidrelétricas importantes como Belo Monte, Santo Antônio e Jirau.
A estratégia do ONS busca garantir potência disponível caso a recuperação hídrica no Norte demore mais do que o esperado. Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, afirmou que o planejamento atual incorpora as lições aprendidas durante a crise hídrica de 2021 e poderá incluir o despacho de usinas fora da ordem econômica se as condições hidrológicas se agravarem.
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É importante notar que a região Sul representa apenas 7% da capacidade nacional de armazenamento de água. Os grandes reservatórios responsáveis por sustentar o sistema estão concentrados no subsistema Sudeste Centro – Oeste, tornando o comportamento das chuvas nessa área crucial para a continuidade do abastecimento energético até 2027.
Expectativas para Tarifas
Nivalde de Castro, coordenador – geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GeselUFRJ), aponta que as chuvas a partir de outubro serão determinantes. “Se chover abaixo da média, as bandeiras tarifárias serão acionadas”, afirma. Ele explica que se as previsões para menor precipitação no Sudeste Centro – Oeste se concretizarem também em 2027, é provável que as bandeiras tarifárias permaneçam em vigor.
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Castro garante que não há risco de apagão: “Isso está descartado”, mas destaca que a preocupação gira em torno dos custos operacionais e da situação hídrica prevista para o próximo ano. A análise é corroborada por Edvaldo Santana, ex – diretor da Aneel, que observa um aumento no despacho térmico mesmo quando o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) está no piso regulatório.
Consequências nas Contas dos Consumidores
A pressão sobre os custos já começou a ser sentida nas contas de luz. Em julho, a Aneel manteve a bandeira tarifária amarela devido à queda nos níveis dos reservatórios e à necessidade crescente de acionamento das usinas termelétricas — com custos superiores aos das hidrelétricas.
O adicional aplicado será R 1,885 para cada 100 kWh consumidos.
A agência reguladora ressalta que essas bandeiras servem como um aviso ao consumidor sobre períodos em que a geração elétrica se torna mais cara devido ao uso intensificado das térmicas. Se for necessário aumentar ainda mais o despacho preventivo nos próximos meses, especialistas acreditam que o sistema poderá evoluir para bandeiras tarifárias ainda mais onerosas.
Xisto Vieira Filho, presidente da Abraget (Associação Brasileira das Geradoras Termelétricas), comenta sobre uma mudança estrutural no sistema elétrico brasileiro. Segundo ele, o Plano da Operação Energética 2026-2030 do ONS revela uma diminuição na capacidade relativa de armazenamento ao longo dos anos.
Isso ocorre porque grandes reservatórios praticamente deixaram de ser construídos enquanto aumenta simultaneamente a demanda por eletricidade e outros usos da água.
A necessidade crescente das usinas termelétricas para garantir segurança energética é uma consequência direta desse cenário. Vieira Filho acredita que mesmo durante períodos secos, o despacho tende a ser elevado e pode ultrapassar a média se as previsões climáticas forem confirmadas.