El Niño pode impactar safra 2026/27 no Brasil e preocupa agronegócio com mudanças climáticas

Produtores brasileiros se preparam para possíveis alterações climáticas que podem afetar a safra 2026/27, com riscos para soja, milho e pecuária.

12/07/2026 09:19

4 min

El niño
El niño

A possibilidade de um dos episódios de El Niño mais intensos já registrados gera preocupação no agronegócio brasileiro. Se as previsões se concretizarem, esse fenômeno pode modificar o padrão de chuvas em várias regiões do país, afetando desde o cultivo da soja até a próxima safra de café.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além disso, os impactos podem ser sentidos na pecuária e até nos preços de algumas commodities.

De acordo com a NOAA, este evento pode ser o El Niño mais forte desde 1950, ano em que as medições começaram. No Brasil, o fenômeno costuma aumentar a pluviosidade no Centro – Sul e reduzir as chuvas no Norte e Nordeste. Isso resulta em algumas áreas enfrentando excesso de água, enquanto outras lidam com seca e temperaturas elevadas.

Preocupação entre produtores

Ainda é cedo para estimar possíveis perdas na produção agrícola, mas a evolução das previsões climáticas faz com que produtores e analistas fiquem mais atentos ao fenômeno nos próximos meses. Este período é crucial para o início da safra 2026/27 no Brasil.

As culturas de soja e milho são as mais suscetíveis às mudanças climáticas provocadas pelo El Niño. O intervalo entre julho e setembro é especialmente importante, pois antecede o plantio da soja. Caso as chuvas atrasem ou venham de forma irregular, os agricultores podem precisar replantar áreas ou adiar a semeadura.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Essa situação também pode impactar negativamente o milho da segunda safra, aumentando os riscos associados à falta de chuvas no final do ciclo.

Em 2024, durante o último episódio de El Niño, cerca de 2,9 milhões de hectares de soja foram replantados no Brasil devido a problemas climáticos. Contudo, especialistas afirmam que um evento forte não necessariamente leva a uma quebra generalizada na produção nacional. “Após quatro anos difíceis com margens estreitas e desafios persistentes nos custos, o setor agora encara um El Niño que se apresenta forte, trazendo riscos relevantes para a produtividade”, destaca Cesar de Castro Alves, gerente da consultoria agro do Itaú BBA.

Leia também

Impactos no café e na pecuária

O café também requer atenção especial neste cenário climático. As chuvas irregulares já têm sido notadas em Minas Gerais e agora o foco do setor está na florada, etapa essencial para a formação da próxima safra. Se as condições climáticas interferirem nesse processo, a recuperação dos estoques poderá sofrer novos contratempos após os altos preços registrados nos últimos anos.

Apesar das incertezas, o Itaú BBA projeta uma safra recorde de café em 2026/27 devido à recuperação da produção de arábica. Entretanto, permanece incerto o quadro para 2027/28 em função dos possíveis efeitos do El Niño nas floradas.

Os impactos do fenômeno não se restringem apenas às lavouras. As ondas de calor previstas para estados como Mato Grosso podem afetar diretamente os animais. Ademais, se soja e milho sofrerem perdas e os preços subirem, isso deve elevar os custos de alimentação para aves, suínos e bovinos.

No mercado leiteiro, um estudo do Rabobank aponta que excessos hídricos no Sul podem diminuir a produção em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Efeitos heterogêneos pelo Brasil

A influência do El Niño não será uniforme em todo o território nacional. Na região Norte, espera – se um volume de chuvas muito abaixo da média, aumentando os riscos de seca e queimadas em cultivos como cacau e mandioca. Além disso, a diminuição do nível dos rios pode dificultar o escoamento na área do Arco Norte.

No Matopiba — formada por partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — há previsão de pouca chuva e altas temperaturas que elevam o risco seco e prejuízos nas colheitas. Em Mato Grosso, as preocupações giram em torno da irregularidade das chuvas e das altas temperaturas que podem comprometer a produtividade das principais culturas como soja e milho.

No Sudeste do país, as lavouras de café e laranja poderão enfrentar chuvas irregulares combinadas com calor acima da média. Enquanto isso, no Sul do Brasil a combinação entre calor excessivo e chuvas elevadas aumenta os riscos de enchentes e doenças fúngicas nas plantações.

Possíveis repercussões internacionais

Os efeitos desse fenômeno climático também devem ser monitorados fora das fronteiras brasileiras. O Rabobank indica que um El Niño intenso pode impactar negativamente a produção global de açúcar na Ásia e reduzir a oferta mundial de cacau devido à diminuição das chuvas em partes da África Ocidental.

A previsão é preocupante para essa região onde até 70% da produção global de cacau está concentrada; menos umidade no solo pode gerar estresse hídrico significativo nessa cultura fundamental.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!