Edi Rama rejeita deixar cargo após protesto com fogos e gás lacrimogêneo
Milhares de manifestantes, muitos deles estudantes, tomaram as ruas de Tirana, capital da Albânia, na noite de quinta-feira (15). O protesto terminou em confronto com a tropa de choque, com vidraças quebradas e uso de gás lacrimogêneo pela polícia.
O alvo da ira é o primeiro-ministro, Edi Rama, que rejeita os pedidos para deixar o cargo. Os manifestantes acusam o governo de corrupção e de abandonar a educação, mas a gota d’água foi a venda de trechos do litoral sul do país para um empreendimento de luxo apoiado por Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump.
Ruas destruídas e confronto com a polícia
O centro de Tirana amanheceu com marcas da violência. Lixeiras queimadas, pontos de ônibus destruídos e semáforos quebrados se espalhavam pelas vias. Durante o protesto, a polícia usou gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral para conter a multidão, que revidou arremessando pedras.
Os manifestantes também incendiaram um quiosque, montaram barricadas e invadiram uma agência bancária. Eles exigem a renúncia de Rama e afirmam que ninguém levou a sério suas preocupações durante um verão inteiro de protestos, que até então haviam sido majoritariamente pacíficos.
Rama rejeita renúncia e defende mandato
O premiê, cujo governo nega as acusações de corrupção, disse estar disposto a discutir o aumento de verbas para a educação, mas descartou qualquer possibilidade de deixar o cargo. “Minha responsabilidade é ouvir, tratar de preocupações legítimas e fazer com que a Albânia continue avançando”, afirmou em comunicado enviado à Reuters.
Rama argumentou que renunciar seria uma traição aos albaneses que lhe deram um mandato sólido para concluir as negociações de adesão do país à União Europeia. A crise, no entanto, não dá sinais de arrefecimento, e os estudantes prometem novos atos.
O prazo para a saída de Rama, exigido pelos manifestantes, segue sem qualquer previsão.
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