Edi Rama diz que protestos desafiam a entrada na UE, não seu governo
O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, rejeitou neste domingo (18) os pedidos para que renunciasse e afirmou que os protestos, no sexto dia, não ameaçam seu governo, mas o caminho do país para ingressar na União Europeia. Os atos, liderados por estudantes, começaram no centro de Tirana e se espalharam por outras cidades.
As manifestações foram motivadas pela indignação com a suposta corrupção governamental, a falta de empregos e a precariedade do sistema educacional. A polícia informou que 388 pessoas foram acusadas de crimes durante os protestos; dezenas de policiais e manifestantes ficaram feridos.
Confrontos se intensificam em Tirana
Milhares de pessoas se reuniram em frente ao Ministério da Educação neste domingo e atiraram pedras contra a tropa de choque. Os policiais responderam com gás lacrimogêneo, jatos dágua e balas de borracha.
Nos últimos dias, manifestantes que pedem a renúncia de Rama incendiaram prédios públicos e agências bancárias, quebraram vitrines e arrancaram pedras do calçamento para lançar contra a polícia. Antes do início dos atos de domingo, escavadeiras retiraram pedras em frente ao gabinete do primeiro-ministro, no centro de Tirana.
“Isso, de forma alguma, vai deter os manifestantes. O objetivo é apenas eliminar qualquer possibilidade de proteção para os manifestantes contra a polícia. É só isso”, afirmou Elton Prendi, de 40 anos, morador de Tirana.
Rama diz que adesão à UE está em jogo
Em uma transmissão ao vivo pelo Facebook, Rama disse que o alvo dos protestos não é ele nem o governo. “Não sou eu quem está sendo desafiado, nem o governo, nem a maioria governista ou o partido vencedor das eleições; o que está em xeque é um caminho, uma missão”, declarou.
“Os albaneses precisam refletir com clareza: o que eles querem? Querem isso, querem aquilo, ou querem a União Europeia?”, acrescentou. Rama convidou os estudantes para um diálogo.
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A Comissão Europeia condenou a violência em Tirana e em outras cidades e saudou o compromisso das autoridades em proteger o direito da população de protestar. Já a chancelaria austríaca informou que Rama cancelou uma reunião marcada para segunda-feira, em Viena, com o chanceler austríaco Christian Stocker.
Protestos ocorrem após meses de manifestações
A atual onda de agitação sucede meses de protestos majoritariamente pacíficos durante o verão contra um empreendimento de luxo no litoral, apoiado por Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump. O movimento representa o maior desafio enfrentado até agora por Rama, que governa a Albânia desde 2013 e conquistou seu quarto mandato no ano passado.
Escândalos de corrupção mancharam a imagem do país ao longo dos anos. Analistas afirmam que a Albânia é um centro para grupos criminosos que buscam lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de armas. Rama, por sua vez, disse que seu governo combate a corrupção como nunca antes.
Ao lado de Montenegro, a Albânia lidera o grupo de países dos Bálcãs que buscam ingressar na União Europeia, com a meta de adesão até 2030. Rama também atribuiu os protestos e o que descreveu como uma tentativa de ataque com drone ao seu gabinete, ocorrida esta semana, a interesses estrangeiros não especificados.
“Deus sabe quais serão as consequências. Não há jovens, estudantes ou menores de idade que sequer pensariam em executar um plano como este. Trata-se de uma interferência estrangeira”, afirmou.
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