DP World se retira do leilão do Tecon Santos 10 por restrições do governo, diz CEO

DP World Não Participará do Leilão do Tecon Santos 10
A DP World anunciou que não irá participar do leilão do megaterminal de contêineres no Porto de Santos, conhecido como Tecon Santos 10, caso as atuais restrições do certame permaneçam. A declaração foi feita pelo CEO da DP World Brasil, Fabio Siccherino, durante uma entrevista ao programa Conexão Infra, exibido na quinta-feira (14).
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As regras atuais estipulam que as operadoras de terminais portuários só poderão participar do leilão se concordarem em desinvestir dos ativos em que já atuam.
“Hoje, nós já investimos mais de R$ 3 bilhões. Temos em andamento R$ 2,2 bilhões em expansão de contêineres e R$ 2,4 bilhões no terminal de fertilizantes. Não faz sentido desinvestir desse negócio. Portanto, não iremos participar devido às restrições impostas pelo governo.
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Mas, com certeza, teríamos interesse”, afirmou Siccherino. Para ele, essa diretriz é “injusta” e prejudica a competitividade do leilão.
Críticas às Restrições do Leilão
Segundo Siccherino, o ideal seria que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) interviesse apenas em casos de concentração de mercado após o leilão. “Acho injusto proibir na arrancada ou exigir desinvestimento. Se eu pudesse entrar nesse novo terminal em associação com outro player, a participação da DP World no mercado não seria superior a 40% do Porto de Santos, o que não caracterizaria concentração de poder”, explicou.
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Ele ainda ressaltou que regras como essas, impostas antes do início do processo, afastam potenciais interessados. “Deveria ser mais aberto e permitir que as coisas acontecessem, como em várias aquisições e fusões, onde o Cade analisa posteriormente e ajusta o que for necessário”, completou.
Expectativas para o Tecon Santos 10
Apesar das restrições para as atuais operadoras, houve uma eliminação das limitações para armadores, o que aumentou o valor mínimo de outorga no leilão do novo superterminal de contêineres para R$ 1,044 bilhão. Essa nova diretriz possibilita a participação de grandes operadoras de contêineres, como a suíça MSC e a dinamarquesa Maersk. “Gostaríamos de participar, haverá muito interesse, especialmente dos armadores”, afirmou Siccherino.
O Tecon Santos 10 prevê investimentos superiores a R$ 6 bilhões e deve aumentar em 50% a capacidade de movimentação de contêineres no maior porto da América Latina, que enfrenta risco de saturação. O leilão, inicialmente planejado para o final de 2025, sofreu atrasos devido a disputas empresariais sobre o modelo de disputa, e agora pode ocorrer no segundo semestre de 2026, com risco de adiamento para 2027.
Atrasos e Impactos no Porto de Santos
Siccherino alertou que os atrasos na realização do leilão têm um efeito negativo sobre a infraestrutura necessária no Porto de Santos. “Conforme os atrasos aumentam, o porto fica mais congestionado e a demanda por portos alternativos cresce. Isso prejudica a competitividade do país e do Porto de Santos”, disse.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca realizar o leilão até o final do ano, para que o principal ativo de concessão do setor portuário não seja adiado para outro mandato. Além do aspecto político, a urgência na licitação do megaterminal se deve à saturação na movimentação de contêineres, que atualmente opera a 85% da capacidade, enquanto o ideal seria entre 60% e 65%.
Se essa situação não mudar até 2030, o Porto de Santos pode atingir seu limite operacional.
“A principal solução é aumentar a capacidade do Porto de Santos. Estamos aguardando um novo terminal portuário, que deve adicionar entre 40% e 50% de capacidade, permitindo aliviar o sistema e facilitar o fluxo do comércio internacional”, concluiu Siccherino.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



