Donald Trump critica Irã por romper acordos e promete pedágios no Estreito de Ormuz

A promessa de pedágios no Estreito de Ormuz por Donald Trump reflete a crescente tensão nas relações entre EUA e Irã, complicando ainda mais as negociações.

14/07/2026 19:22

4 min

O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca
O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca

No dia 13 de fevereiro de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou desconfiança em relação ao Irã, afirmando que a República Islâmica não é confiável para cumprir acordos. Durante uma entrevista à Fox News, ele criticou os líderes iranianos por romperem compromissos, mencionando um memorando de entendimento que havia suspendido temporariamente a guerra. “Era um acordo fechado, e então eles o romperam.

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Eles sempre o rompem”, declarou Trump.

Curiosamente, Trump parece ignorar a ironia em suas palavras, já que ele mesmo tem um histórico de abandonar acordos internacionais, como o Acordo Climático de Paris. A decisão de descartar o pacto da era Obama que limitava o programa nuclear do Irã é vista por alguns críticos como uma das razões para a atual situação complicada dos EUA.

Mais tarde naquele mesmo dia, frustrado com os acontecimentos, Trump prometeu estabelecer pedágios para os navios que transitam pelo Estreito de Ormuz.

Resposta do Irã e ironias na negociação

Em resposta às ameaças de Trump, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fez uma oferta sarcástica ao sugerir um preço melhor para a passagem no estreito. “O presidente está absolutamente certo”, escreveu Araghchi em sua conta na rede social X.

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Ele argumentou que Trump havia legitimado a posição iraniana sobre a cobrança pela via navegável vital e acrescentou: “20% é, claro, demais. Seremos justos”. Essa troca evidencia a dureza das negociações entre os dois países.

A dinâmica da guerra se complica ainda mais à medida que Trump enfrenta dificuldades em explicar aos americanos por que reacendeu um conflito que anteriormente afirmara ter encerrado. Semanas após declarar que tinha encerrado para sempre o programa nuclear iraniano e trazido paz ao Oriente Médio pela primeira vez em três mil anos, ele mudou seu discurso em uma entrevista no programa de rádio de Hugh Hewitt.

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Desafios e realidades do confronto

A deterioração do memorando de entendimento se deu porque o Irã buscou proteger seu controle sobre o estreito. Essa situação revela uma dura realidade para os EUA: apesar das ameaças e do poderio militar americano, Teerã continua definindo as regras do confronto.

A equação que rege essa guerra ainda permanece inalterada: a República Islâmica utiliza sua geografia e uma compreensão astuta de seu poder limitado para superar uma superpotência adversária.

A pressa do governo americano em negociar um acordo com termos vagos contribuiu para essa nova disputa. A equipe liderada pelo vice – presidente JD Vance parece não ter percebido que o Irã usaria esse acordo como vantagem estratégica. O memorando exigia que Teerã preparasse condições para garantir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito durante 60 dias e colaborasse com Omã na definição da administração da região.

Possíveis caminhos futuros

Esse cenário sugere que o prazo estipulado pode ser irrealista e as dificuldades em influenciar o comportamento iraniano levantam questionamentos sobre a eficácia das estratégias de Trump. Há indícios de que sanções econômicas impostas por ele poderiam ser mais eficazes agora do que no passado.

Afinal, foi suficiente um ataque com mísseis e drones para que o Irã fechasse novamente o estreito.

Os custos econômicos crescentes também são motivo de preocupação; os contratos futuros de petróleo dispararam recentemente. Isso poderá levar Trump a reconsiderar suas ações para evitar consequências políticas e econômicas indesejadas.

Espaço para diplomacia?

Apesar dos confrontos recentes, ainda há espaço para esperanças quanto à diplomacia entre EUA e Irã. Os dois países parecem estar tentando consolidar suas interpretações do memorando de entendimentos, preparando – se assim para futuras negociações.

Trump não demonstrou disposição em arcar com os altos custos humanos de uma invasão ao polo petrolífero iraniano na Ilha de Kharg.

Diferentemente de outros presidentes como Lyndon Johnson ou George W. Bush, que intensificaram conflitos já existentes, Trump não reagiu com um ataque total após ser humilhado estrategicamente em um conflito onde subestimou seu adversário. Embora tenha ocorrido uma tragédia no início do conflito — quando um ataque aéreo americano atingiu uma escola iraniana — até agora ele não concretizou ameaças anteriores contra infraestruturas civis.

Ainda assim, as limitações nas represálias iranianas contra bases americanas indicam uma contenção no nível do conflito. Danny Citrinowicz, pesquisador sênior do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel, acredita que há espaço para diplomacia mesmo diante da escalada dos ataques mútuos entre as partes envolvidas.

No entanto, enquanto essa nova fase não alcançar um ponto crítico, Trump continua enfrentando a difícil questão: como sair dessa guerra?

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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