Dólar fecha a R$ 5,3878 com dúvidas sobre ajuste fiscal de Lula e fala de Boulos

O dólar disparou nesta quinta-feira (29) e chegou perto de fechar na casa de R$ 5,40, depois de dois pregões seguidos de queda que somavam baixa de 1,16%. A pressão veio do ambiente externo de aversão ao risco, com desvalorização de divisas latino-americanas, e de dúvidas sobre a disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em promover um ajuste fiscal.
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No fim da sessão, o dólar à vista terminou cotado a R$ 5,3878, com alta de 0,89%. Entre divisas mais líquidas, o real teve o segundo pior desempenho do dia, atrás apenas do peso mexicano. Na semana, a moeda americana acumula ganhos de 7,90%.
Declarações de Boulos pesam sobre o câmbio
Segundo operadores, o mercado acompanha mais o quadro doméstico do que o externo nesta semana pós-eleição. Para o gestor de portfólio da Azimut Brasil, Marcelo Bacelar, a dúvida central é como será a política econômica e se haverá ajuste fiscal. “É natural o dólar estressar quando surgem declarações de pessoas próximas ao governo contra um ajuste, como vimos hoje [quinta-feira]”, afirmou.
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Em postagem no X, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, descartou cortar gastos sociais como caminho para o ajuste fiscal no Lula 4. “O ‘tesouraço’ foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular”, escreveu ele.
As máximas do início da tarde, quando a divisa chegou a R$ 5,4290, foram atribuídas por operadores à leitura de que as falas de Boulos refletem a visão de uma ala do Palácio do Planalto muito próxima ao presidente. A procura por dólar perdeu força na última hora, e a moeda passou a oscilar ao redor de R$ 5,40.
Notícia sobre Fonteles aliviou o mercado
Parte do alívio veio de informação da rádio CBN, segundo a qual Lula pretende viajar ao Piauí na semana que vem para convidar pessoalmente o governador reeleito, Rafael Fonteles, a assumir o Ministério da Fazenda. Embora não venha do mercado financeiro, Fonteles é bem-visto pelos investidores.
Bacelar afirma que os preços dos ativos domésticos mudaram de patamar após a disputa presidencial, mas ele tem dúvidas se os prêmios atuais bastam para atrair investidores. “Além da questão do ajuste, há expectativa pela indicação para as diretorias do Banco Central. Qualquer sinalização ruim se reflete no câmbio”, disse.
Ele também citou o carry e os preços elevados do barril de petróleo como fatores que ainda mitigam pressões sobre o real.
Índice DXY cai e Fed mantém juros nos EUA
O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, deu sequência à queda iniciada na tarde de quarta-feira e furou o piso dos 102,000 pontos. Essa movimentação ocorreu mesmo com dados de inflação e atividade que sugerem a possibilidade de o Federal Reserve retomar o aperto monetário em dezembro.
Na quarta-feira (28), o BC americano manteve a taxa básica e disse que precisa de mais tempo e informações. O PIB dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, em leitura preliminar, acima da mediana de 3,2% das Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Já o PCE, medida de inflação predileta do Fed, veio em linha com as expectativas em setembro, mas seguiu acima de 3% na comparação anual.
Editoria:
Redação Economia
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