Doença de Parkinson: Neurologistas discutem causas e fatores de risco alarmantes neste sábado
A doença de Parkinson já afeta 11,8 milhões globalmente, com 500 mil casos no Brasil. Neurologistas discutem causas e fatores de risco neste sábado (10).
Doença de Parkinson: Prevalência e Fatores Associados
A doença de Parkinson afeta atualmente cerca de 11,8 milhões de pessoas em todo o mundo, com aproximadamente 500 mil casos registrados no Brasil. Especialistas alertam que o aumento da prevalência dessa condição já supera o de doenças como Alzheimer, epilepsia e dores de cabeça.
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No programa deste sábado (10), os neurologistas Roberta Saba e Rubens Cury discutem o que acontece no cérebro dos pacientes com Parkinson e quais fatores estão associados ao desenvolvimento da doença.
O que ocorre no cérebro?
De acordo com Roberta Saba, secretária geral da Academia Brasileira de Neurologia, a doença provoca alterações em uma região do cérebro chamada substância negra. “Nessa área, existem neurônios que produzem um neurotransmissor conhecido como dopamina”, explicou.
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A dopamina é fundamental para regular os movimentos normais do corpo. Com a degeneração progressiva desses neurônios, surgem os sintomas característicos da doença, como lentidão nos movimentos, rigidez muscular e, frequentemente, o tremor de repouso.
Causas e fatores de risco
A causa da doença de Parkinson ainda não foi completamente esclarecida pela ciência, levando à sua classificação como de causa idiopática. Roberta Saba destacou que essa condição resulta de uma combinação de fatores genéticos e ambientais.
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Para exemplificar, ela mencionou o caso de um paciente gêmeo univitelino cujo irmão, engenheiro agrônomo, desenvolveu a doença, possivelmente devido à exposição a pesticidas, enquanto ele, advogado, não apresentou a condição. “Os fatores ambientais estão cada vez mais relacionados ao surgimento da doença de Parkinson”, ressaltou.
Rubens Cury, coordenador do Ambulatório de Estimulação Cerebral Profunda do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, reforçou que elementos como a industrialização, a poluição e o uso de agrotóxicos estão entre os fatores ambientais em investigação. “Estudos realizados nos Estados Unidos e na Coreia do Sul mostram que em regiões mais poluídas a incidência da doença é maior”, afirmou.
Segundo ele, a combinação de predisposição genética com exposição ambiental parece ser o principal mecanismo por trás do desenvolvimento da doença.
Idade de manifestação e hereditariedade
Rubens Cury esclareceu que não há uma idade específica para o surgimento do Parkinson, embora a prevalência seja significativamente maior em pessoas acima dos 55 anos. “Quanto mais idade, maior a chance de a pessoa ter Parkinson”, explicou. Quando a doença se manifesta antes dos 50 anos, é chamada de doença de Parkinson precoce e geralmente está associada a uma predisposição genética elevada.
Sobre a hereditariedade, Cury informou que apenas cerca de 10% dos casos apresentam um gene alterado que possa ser identificado como responsável pela condição. “Em 90% dos casos, o teste genético resulta negativo”, pontuou. Isso reforça a importância dos fatores ambientais e da interação entre genética e ambiente no desenvolvimento da doença.