Divulgação de mensagens entre Vorcaro e Moraes aprofunda crise interna no STF

Edson Fachin ainda definirá a data da sessão pública em que o plenário do STF analisará os novos elementos, após o envio do caso à PGR.

Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes

Mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, encontradas no celular do ex – banqueiro Daniel Vorcaro agravaram a crise interna na Corte. O relatório da Polícia Federal, de 218 páginas, foi divulgado nesta terça – feira (1º) por determinação do ministro Edson Fachin, relator do caso Master no Supremo.

O documento reúne conversas, registros de encontros e outros dados relacionados a Vorcaro e Moraes. Antes de liberar o material, Mendonça avisou a Moraes que o encaminharia à PGR (Procuradoria – Geral da República). Fontes ouvidas pela CNN afirmam que os dois tiveram, na segunda – feira (31), um desentendimento.

Interlocutores, porém, negam que a discussão tenha evoluído para agressões físicas.

Relatório será levado ao plenário do Supremo

Mendonça também defendeu que os novos elementos sejam analisados pelo plenário do Supremo. Em uma decisão, o ministro classificou essa medida como o “caminho inevitável”, independentemente da manifestação da PGR.

A análise deverá ocorrer em sessão pública e presencial. A data ainda será definida por Fachin, presidente da Corte. Se a medida avançar, os próprios ministros do STF poderão discutir o encaminhamento de informações que envolvem um integrante do tribunal.

A Polícia Federal afirma que, até o momento, não realizou atos de aprofundamento investigativo contra Moraes ou outros magistrados. Segundo a corporação, o relatório apenas organiza informações já localizadas no material apreendido durante a Operação Compliance Zero.

Mensagens mostram contatos entre Vorcaro e Moraes

Entre os conteúdos reunidos pela PF está uma mensagem em que o banqueiro escreveu ao contato atribuído a Moraes: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”. Na sequência, Vorcaro disse que a família, os funcionários, os parceiros e os amigos tinham uma “dívida de vida” com o ministro e sua família.

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As conversas também indicam que Vorcaro buscava informações sobre a possibilidade de deixar a prisão. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso, ele perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No dia seguinte, teria enviado outra mensagem: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.

Vorcaro acabou preso em 17 de novembro no Aeroporto de Guarulhos. Na ocasião, tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai.

O relatório aponta ainda indícios de pelo menos seis encontros entre Vorcaro e Moraes, realizados entre novembro de 2024 e agosto de 2025. Em março de 2025, um funcionário do banqueiro informou que o “Min Alexandre chegou”. Na mesma noite, Vorcaro disse a um diretor do Banco Central que estava “com Moraes aqui”.

Também foram identificadas conversas sobre eventos em Londres. Vorcaro afirmou que preparava um “evento super exclusivo com Alexandre de Moraes em Londres”. As mensagens tratavam da aprovação de convidados, da programação e da formação dos painéis.

Código de conduta divide integrantes do STF

No mesmo dia da divulgação do relatório, Mendonça defendeu a criação de um código de conduta para integrantes do Judiciário. Para o ministro, normas desse tipo ajudam a preservar a confiança nas instituições e tornam públicos os padrões esperados dos magistrados.

A proposta, que também conta com o apoio de Fachin, inclui debates sobre manifestações públicas de magistrados, participação em eventos patrocinados por organizações privadas e situações que possam caracterizar suspeição.

A iniciativa encontra resistência entre integrantes do Supremo. Mendonça não relacionou publicamente a defesa do código às mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro. A discussão, contudo, ocorre ao mesmo tempo em que o relatório da Polícia Federal aumenta a pressão interna sobre o tribunal.

Plenário deve analisar material na próxima semana

A intenção de Mendonça diverge da posição do procurador – geral da República, Paulo Gonet. Em parecer enviado ao STF, Gonet afirmou que houve um esforço para “buscar indicativos de envolvimento do ministro Alexandre de Moraes em ilícitos”.

Para o procurador – geral, Mendonça não poderia “acusar” nem “realizar investigações pré – processuais”. Gonet também sustentou que o ministro deveria ter encaminhado o caso diretamente ao plenário, pois sabia que entre os investigados havia pessoas com foro por prerrogativa de função, em referência a Moraes.

Cabe a Edson Fachin marcar a sessão em que os ministros examinarão o relatório. O plenário é responsável por autorizar a abertura de investigações contra ministros do tribunal e poderá decidir se permite uma eventual apuração formal contra Moraes.