Disputa acirra no Mercosul: Brasil pressiona por critérios na cota de carne bovina com a UE

A disputa pela cota de carne bovina no Mercosul esquenta! Brasil pressiona por critérios técnicos enquanto Paraguai defende divisão igualitária. Saiba mais!

01/05/2026 05:46

3 min

Disputa acirra no Mercosul: Brasil pressiona por critérios na cota de carne bovina com a UE
(Imagem de reprodução da internet).

Disputa no Mercosul pela Cota de Carne Bovina

A disputa interna no Mercosul em relação à divisão da cota de carne bovina no acordo com a União Europeia está mobilizando o setor exportador brasileiro. Este setor pressiona por critérios técnicos na repartição do volume entre os países do bloco.

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A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) defende que a divisão não deve ser feita de maneira igualitária, mas sim considerar a capacidade efetiva de fornecimento de cada nação.

A posição da Abiec surge em meio ao impasse entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, a poucos dias da entrada em vigor provisória do acordo. De acordo com o tratado, a cota destinada ao mercado europeu será de 99 mil toneladas por ano, com uma tarifa reduzida de 7,5%.

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Contudo, a distribuição desse volume entre os quatro países do Mercosul ainda não foi consensuada.

Propostas de Divisão e Argumentos do Setor

O Paraguai, que atualmente ocupa a presidência temporária do bloco, defende uma divisão igualitária, com cerca de 24,75 mil toneladas para cada país. No entanto, o Brasil resiste a essa proposta. Para a Abiec, uma divisão aritmética pode resultar em subutilização da cota.

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O setor argumenta que fatores como escala de produção, regularidade de oferta e habilitação sanitária devem ser levados em conta.

“Para o setor produtivo brasileiro, não se trata de uma divisão meramente aritmética, mas de garantir que a cota negociada seja plenamente utilizada, maximizando os benefícios do acordo”, afirmou a entidade em nota. Atualmente, o Brasil já exporta carne bovina para a União Europeia dentro de um sistema de cotas mais restrito, com um volume em torno de 8,9 mil toneladas e uma tarifa de 20%.

Impacto do Novo Acordo e Expectativas Futuras

Fora desse limite, as tarifas podem variar de 40% a 90%, conforme dados do setor. Na prática, o novo acordo amplia o acesso ao mercado europeu, mas mantém a lógica de limitação por volume. Assim, a forma como essa cota será distribuída dentro do Mercosul é considerada crucial para o ganho efetivo de mercado.

Conforme reportado pela CNN Brasil, em 2004, entidades do setor firmaram um acordo de carne bovina com o Brasil, que concentrava 42,5% do volume total, seguido pela Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%). Esse arranjo considera o peso relativo das exportações de cada país e reforça o argumento do setor brasileiro de que a distribuição deve refletir a capacidade efetiva de fornecimento, em vez de critérios iguais entre os membros do bloco.

No entanto, fontes do governo indicam que, neste estágio inicial, pode não haver uma divisão formal da cota. Nesse cenário, o acesso ao mercado europeu dependeria da capacidade de cada país de fechar contratos primeiro. A expectativa é que uma regra mais clara de distribuição seja definida apenas a partir do próximo ano, o que mantém a disputa aberta dentro do bloco.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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