Dino denuncia “ecossistema criminoso” de desvio de verba no Maranhão e critica liderança de Daniel
Dino alerta que a permanência de Daniel Brandão na presidência do TCE pode comprometer investigações sobre corrupção e homicídio no Maranhão.
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), denunciou a existência de um “ecossistema criminoso” voltado para o desvio de recursos públicos no Maranhão. A declaração foi feita em uma decisão relacionada ao caso de Daniel Brandão, atual presidente do TCE – MA (Tribunal de Contas do Estado do Maranhão) e sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB), que é investigado por supostas práticas de corrupção, incluindo desvio de dinheiro público, cobrança de propinas e envolvimento em homicídios.
Dino afirmou que a continuidade de Brandão na presidência do tribunal poderia prejudicar as investigações em curso. O TCE é responsável pela fiscalização das contas do governo estadual e de diversos órgãos públicos, muitos dos quais têm vínculos familiares com o conselheiro. “Um órgão independente de controle externo não pode ser presidido por alguém que está no epicentro de investigações sobre homicídio e má gestão dos recursos públicos”, destacou o ministro.
Investigação sobre homicídio
A investigação remonta ao assassinato de João Bosco Pereira, ocorrido em 2022. De acordo com apurações, o crime aconteceu durante uma reunião onde se discutia a divisão de propinas relacionadas a contratos governamentais. Daniel Brandão teria estado presente nessa reunião.
Após o assassinato, surgiram indícios de tentativas para dificultar o avanço das investigações, incluindo suspeitas de interferência policial e ocultação do envolvimento de Daniel na reunião fatídica.
Relatórios iniciais da Polícia Civil do Maranhão teriam omitido o nome de Brandão. Além disso, imagens capturadas por câmeras de segurança que registraram os participantes da reunião desapareceram entre a delegacia e o instituto de perícia. A decisão de Dino também menciona esforços para impedir que Gilbson Cutrim Júnior, suspeito do assassinato, colaborasse com as autoridades.
Conforme as investigações, a família de Gilbson recebeu pagamentos em troca da não revelação de informações sobre a família Brandão. O pai dele alegou ter recebido cerca de R 160 mil em espécie e promessas de milhões em imóveis como parte desse esquema.
Também há indícios de que familiares foram instruídos a mentir em depoimentos para proteger os envolvidos nas investigações.
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Suspeitas na Polícia Federal
Dino levantou ainda suspeitas sobre infiltração na Polícia Federal, mencionando um agente identificado como Edvar Rodrigues, acusado de vazar informações sigilosas para os investigados e pressioná – los a não colaborar com as investigações. Há indícios sólidos sobre tentativas da parte das autoridades para obstruir o progresso das apurações.
A investigação também busca esclarecer possíveis ligações entre senadores e membros da família Brandão envolvendo pagamentos por favores legais. Dados obtidos através do celular do senador Weverton mostram uma proximidade com um ministro do STJ, além da solicitação direta por favores relacionados a processos específicos.
Entre os eventos destacados está uma ligação entre Weverton e o ministro no dia 2 de junho de 2025, data em que foi ordenada a transferência Gilbson Júnior para Brasília. Essa movimentação foi considerada crucial e acabou paralisando os trâmites legais relevantes.
A assessoria do ministro Humberto Martins informou à CNN que não irá comentar devido ao segredo judicial que envolve o processo. Por sua vez, Weverton não respondeu aos contatos feitos pela CNN até o momento.