Diesel russo volta a seguir para Turquia e Brasil após suspensão de restrições
Carregamentos de diesel russo voltaram a apontar para destinos tradicionais, incluindo Turquia e Brasil, depois que os Estados Unidos suspenderam temporariamente sanções e a Rússia encerrou a proibição de exportação. Dados de transporte marítimo da Kpler e da LSEG mostram ao menos dois navios-tanque com essas rotas nos últimos dias.
A medida russa foi anunciada em 9 de outubro, após um acordo com o presidente dos EUA, Donald Trump, para fornecer diesel ao mercado global. Os embargos da UE e do Reino Unido às importações de combustível russo, porém, continuam em vigor.
Exportações russas de diesel caíram 41% neste ano
A Rússia suspendeu a proibição que havia imposto para conter a escassez interna, provocada por ataques de drones ucranianos a refinarias. Antes disso, o país já havia reduzido as exportações durante o verão.
As vendas externas de diesel russo somaram cerca de 345.000 bpd neste ano até o momento, 41% a menos que no ano passado, segundo os dados. A Rússia costuma ser o segundo maior exportador mundial do combustível, atrás apenas dos Estados Unidos.
O Leruo deixou o porto russo de Primorsk, no Mar Báltico, em 16 de outubro, e indicava Manaus, no Brasil, como destino. Já o Dolunay partiu do mesmo porto em 14 de outubro, carregado de diesel, e seguia para Alanya, na Turquia. Cada navio transporta 300.000 barris do combustível, segundo a Kpler.
Marrocos também passou a importar diesel russo desde o fim da proibição. Neste ano até o momento, a Turquia recebeu cerca de 34% dos carregamentos russos, o Brasil ficou com 24% e Marrocos, com 10%, de acordo com dados da Kpler.
Rússia diz que pode ampliar fornecimento
“Com o retorno do abastecimento russo, as rotas comerciais estabelecidas são o destino mais lógico para esses barris inicialmente. Também espero que a Rússia priorize clientes que possam absorver volumes significativos rapidamente, em vez de perder tempo desenvolvendo novos mercados quando a disponibilidade global de diesel continua escassa”, disse Michelle Brouhard, chefe de risco geopolítico da Kpler.
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Fornecedores turcos de combustível reduziram as compras de diesel de refinarias locais antes da chegada das cargas russas, afirmaram à Reuters três fontes familiarizadas com o assunto. A Tupras e a Socar, responsáveis pela operação das principais refinarias da Turquia, não se pronunciaram sobre o pedido de comentário.
Trump disse que a Rússia enviaria de imediato 300 mil toneladas, ou 2,25 milhões de barris. Depois, segundo ele, seriam exportadas 500 mil toneladas em novembro e 1 milhão de toneladas “imediatamente depois”.
Na semana passada, o vice-primeiro-ministro Alexander Novak afirmou que as exportações poderiam superar os volumes acertados com Trump. A meta mencionada por ele é chegar a até 3,5 milhões de toneladas por mês (875.000 bpd) até o final do ano.
Preços seguem abaixo do pico de setembro
Os volumes citados por Trump são pequenos diante do déficit global. Já uma oferta nos níveis projetados por Novak cobriria a maior parte da lacuna, avaliou James Noel-Beswick, analista da Sparta Commodities.
Os contratos futuros de diesel de referência na Europa não tiveram mudanças significativas após o acordo, segundo dados da LSEG. Nesta terça-feira (20), eram negociados com prêmio de US$ 80 sobre o petróleo Brent. O valor está abaixo do recorde de quase US$95 no final de setembro, mas permanece várias vezes maior que há um ano.
Entre 11 e 20 de outubro, os embarques de diesel russo chegaram a cerca de 210 mil toneladas, ou 1,56 milhão de barris, de acordo com a Kpler.
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