Díaz-Canel Reforça Modelo Socialista Diante de Crise Global
Díaz-Canel busca consolidar modelo socialista com reformas econômicas diante das crises globais.
“Não estamos buscando uma restauração capitalista do país”, afirmou o presidente cubano Miguel Díaz – Canel, durante entrevista concedida ao programa Grupo Corripio no México e conduzida pelo jornalista Roberto Cavada.
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O mandatário fez declarações sobre a necessidade de aperfeiçoar “a construção socialista nas condições tão adversas em que vivemos hoje”. O encontro marcou sua primeira aparição pública após um período marcado por reformas econômicas controversas tanto dentro quanto fora da ilha caribenha.
Revisão econômica diante das crises globais
Díaz – Canel enquadrou as mudanças atuais na perspectiva histórica do país. Ele ressaltou o desafio estrutural enfrentado pela Cuba, especialmente porque ela atravessa uma crise considerada uma das mais graves já vivenciadas pelo território nacional.
O presidente refletiu sobre como é possível manter os avanços sociais trazidos pela revolução “nas condições de pequena ilha submetida ao prolongadíssimo e genocídio bloqueio histórico por mais de sessenta anos”. Essa reflexão aponta para a urgência em repensar modelos econômicos sem abandonar seus fundamentos socialistas.
Os três pilares da transformação cubana
As reformas atuais são vistas não apenas internamente, mas também à luz do cenário geopolítico global. O mandatário enfatizou que o processo transformador responde diretamente às mudanças na situação internacional vivenciada pelo país desde as últimas décadas.
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Ele detalhou como essas medidas se estruturam através dos chamados “três eixos”, começando pela necessidade de atualizar ou aperfeiçoar o sistema diretor da economia. Segundo Díaz – Canel, é crucial estabelecer uma relação adequada entre centralização e descentralização econômica; além disso, deve haver um equilíbrio funcional entre aquilo planejado governamentalmente e os sinais gerados pelos mecanismos de mercado.
Outro ponto fundamental abordado foi a autonomia territorial: ele defendeu seu fortalecimento político nos municípios cubanos em função do processo que visa maior autogestão local na esfera socialista. O terceiro eixo envolveu explicitamente a incorporação formal do setor privado como parte integrante — mas não dominante —, “do sistema empresarial cubano”.
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Soberania nacional contra pressões externas
Em conversa sobre o tema das reformas, Díaz – Canel fez uma crítica contundente à postura dos Estados Unidos. Ele apontou que Washington defenderia um cenário onde Cuba seria totalmente dependente de seus interesses e completamente privatizada.
“Eles nunca vão entender o que fazemos”, afirmou ele ao abordar essa visão externa; acrescentando ainda que Donald Trump ou qualquer governo estadunidense não detêm poder decisório em relação a Havana. O presidente reforçou repetidamente que as transformações são resultado exclusivo de “decisões soberanas” cubanas — sem ceder às pressões externas —, pois buscam superar essas dificuldades preservando sua independência, autodeterminação e soberania nacional do país.
Manutenção dos direitos sociais essenciais
Ao final da entrevista, Díaz – Canel voltou aos pilares fundamentais do modelo social. Ele defendeu o caráter sagrado das conquistas na área de saúde e educação no sistema político econômico caribenho.
“Essas [conquistas] são coisas sagradas”, declarou ele; reafirmando a existência contínua de um sistema universal que garanta tanto acesso à universidade quanto ao atendimento médico para todos os cidadãos cubanos em termos gratuitos e inclusivos.
O mandatário concluiu vinculando diretamente esses diretos básicos com uma economia mais forte: “Com uma economia mais forte… haverá então mais possibilidades não apenas para sustentar essa imensa obra de justiça social… Mas também para ampliá – la”.