Desespero em Olinda: Desabrigados Reclamam de Falta Crítica de Alimentos

Desabrigados em Olinda clamam por ajuda! Crise humanitária atinge 2.882 pessoas, com falta de alimentação e apoio. Saiba mais

13/05/2026 09:31

4 min

Desespero em Olinda: Desabrigados Reclamam de Falta Crítica de Alimentos
(Imagem de reprodução da internet).

Desabrigados em Olinda Denunciam Falta de Alimentação e Medidas de Apoio

De acordo com dados divulgados pela Defesa Civil de Pernambuco, o número de pessoas desabrigadas e desalojadas na capital se agravou. O total passou de 2.282 para 2.882, um aumento de 600 indivíduos que foram forçados a deixar seus lares entre a segunda-feira (4) e a terça-feira (5) do mês.

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O epicentro dessa situação crítica é o bairro de Peixinhos, em Olinda, onde a escola estadual Monsenhor Arruda Câmara foi temporariamente transformada em um abrigo para 80 pessoas, incluindo 50 adultos e 30 bebês.

Alexsandra Oliveira, uma moradora da Comunidade da Xuxa, relata que está no abrigo desde a madrugada de 1º de maio. Ela descreve as dificuldades enfrentadas pela comunidade, destacando a principal delas: o acesso limitado à alimentação. Inicialmente, a dependência era total de doações de ONGs e igrejas, sem uma distribuição regular por parte da gestão municipal. “A prefeitura de Olinda não nos deu refeição nenhuma na sexta-feira, no sábado e no domingo.

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Só veio nos dar um pedaço de melão e uma sopa na segunda-feira (4) — e estava azeda”, lamenta Alexsandra.

Cristiane Nascimento, mãe de duas crianças (1 e 5 anos) e uma adolescente (18), complementa a situação. A família enfrenta a escassez de alimentos, com a prefeitura fornecendo apenas biscoitos e bolachas durante o almoço, que são doações de vizinhos ou igrejas. “A gente passa o dia sem comer, porque a prefeitura só traz biscoito e bolacha.

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Quando chega o almoço é às 16 horas, que são doações trazidas por igrejas ou vizinhos que têm uma condição de vida um pouco melhor”, explica Cristiane.

Ambos os relatos evidenciam a frustração da população com a falta de ação da prefeitura. Cristiane ressalta que a situação é grave: “É mentira. Se eles estivessem mandando comida, a gente não precisava protestar. Os adultos aguentam a fome, mas crianças e idosos não”.

Os desabrigados já realizaram duas manifestações, fechando o tráfego na avenida Presidente Kennedy, a principal via do bairro, em protesto à falta de assistência.

Denúncias e Necessidades Urgentes

Alexsandra relata que, na terça-feira (5), data da entrevista concedida ao Brasil de Fato, não houve oferta de almoço ou jantar às famílias no abrigo. “Se depender deles, a gente morre. Precisamos lutar. Nós temos voz, temos força, mas precisamos brigar”, afirma a desabrigada.

Os moradores já realizaram duas manifestações, na segunda e terça-feira (4 e 5), fechando o tráfego na avenida Presidente Kennedy, principal via do bairro.

A situação no abrigo é precária, com relatos de que funcionários da rede assistencial da prefeitura realizaram visitas às residências afetadas, apenas registrando os locais sem propor soluções. Os moradores sentem que podem ser removidos a qualquer momento, sem que sejam tomadas medidas para reparar os danos causados pelas chuvas. “Tem gente que perdeu tudo: cama, eletrodomésticos, roupas, comida do armário e documentos.

E a prefeitura só nos deu um kit de água sanitária, vassoura, um pano de chão e um balde para limparmos a lama”, informa Alexsandra, que também relata a presença de ratos, escorpiões, baratas e mosquitos no local.

As famílias solicitam doações de produtos de higiene, fraldas, roupas e alimentos crus. Cristiane Nascimento, que não é residente em Peixinhos, mas foi levada ao abrigo pelo Corpo de Bombeiros, espera que o poder público adote medidas mais eficazes para atender às necessidades dos atingidos. “Eu moro em Salgadinho, na beira do mangue, e perdi tudo com a água.

Não tenho como voltar para casa com meus filhos, porque é tempo de chuva e vai acontecer de novo. Eu preciso de auxílio moradia para recomeçar a vida”, resume a mãe, que teme ser colocada na rua sem amparo estatal. A diretora da escola já informou que a prefeitura deseja desocupar o local para retomar as aulas.

Resposta da Prefeitura e Perspectivas

A prefeitura de Olinda informou que está distribuindo alimentos e refeições no abrigo da escola Monsenhor Arruda Câmara “sem interrupção” desde a última sexta-feira (1º). Equipes da Assistência Social e merendeiras municipais acompanham a situação das famílias, garantindo segurança alimentar.

A prefeitura também está prestando assistência psicossocial e humanitária, distribuindo donativos enviados pela Defesa Civil e pelo Governo Federal, além de ter iniciado uma campanha de arrecadação. A Defesa Civil continua monitorando as áreas afetadas, avaliando o retorno das famílias às suas residências.

A Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac) prevê uma redução no volume das chuvas até sexta-feira (8), mas alerta para o retorno de chuvas moderadas a fortes no fim de semana. Até o momento, foram confirmadas as mortes de seis pessoas no Recife, Olinda e São Lourenço da Mata.

O Governo Federal reconheceu a situação de emergência em 23 cidades de Pernambuco, permitindo que os municípios solicitem recursos para ações de defesa civil.

O Governo do Estado reconheceu 27 cidades em situação de emergência, liberando R$ 1,2 milhão para os municípios afetados.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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