Desemprego no Chile chega a 9,8%, o maior em cinco anos, e pressiona o governo Kast

O Chile atravessa uma combinação de recessão, desemprego em alta e queda rápida da popularidade do presidente José Antonio Kast, que chegou ao cargo há apenas sete meses com forte apoio. A estratégia de ajuste fiscal e de cortes de impostos do líder de extrema direita passa a ser questionada por especialistas, pela oposição e pela própria população.
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A crise no mercado de trabalho virou a maior preocupação do país. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a taxa de desemprego subiu para 9,8% no trimestre de julho a setembro, o nível mais alto dos últimos cinco anos, e ultrapassou a marca de um milhão de desempregados pela primeira vez desde a emergência sanitária.
Quase 103 mil vagas desaparecem em 12 meses
Nos últimos 12 meses, quase 103 mil postos de trabalho foram eliminados. O fenômeno pesou mais sobre mulheres, jovens e pessoas que procuram emprego pela primeira vez.
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As diferenças entre regiões também são grandes. Em Valparaíso e OHiggins, a taxa de desemprego chega a 10,2%. Na prática, a atividade em logística e comércio nem sempre se converte em vagas estáveis para quem mora nessas localidades.
Banco Central vê economia parada e reduz projeções para 2026
Os dados oficiais do Banco Central apontam estagnação. O Índice Mensal de Atividade Econômica (Imacec) de setembro registrou alta anual de 0,2%, mas o resultado veio após dois meses seguidos de queda e não afasta a projeção de retração de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) até o fim do terceiro trimestre.
A instituição diminuiu a previsão de crescimento para 2026, que agora fica entre 0,25% e 0,75%. O número está bem distante das expectativas do ano passado e da meta do governo de crescer mais de 4% até 2030.
A mineração, um dos pilares da economia, recuou 12,6%. Os motivos citados são o aumento dos custos de produção, o envelhecimento das jazidas e interrupções provocadas por emergências climáticas ligadas ao El Niño. O custo de vida, por sua vez, chegou a 4,1% na comparação anual de agosto, puxado em grande parte pelo chamado benzinazo, decorrente da decisão de não intervir nos preços dos combustíveis após a crise energética no Oriente Médio.
Governo pede paciência com a reforma tributária
Diante do quadro, o Executivo aposta nos efeitos de médio prazo da chamada “mega-reforma” tributária. O núcleo dela é reduzir o imposto sobre as empresas de 27% para 23%, além de garantir estabilidade tributária para grandes investimentos.
O ministro da Economia e Mineração, Daniel Mas, defendeu a posição do governo. Para ele, a gestão não assumiu o poder para conviver com a paralisia, e sim para recolocar o país em movimento.
Juan Ortiz, economista do Observatório do Contexto Econômico da Universidade Diego Portales, classificou 2026 como “um ano para esquecer” e afirmou que, no curto prazo, a atividade econômica seguirá parada. Já Francisco Castañeda, da Universidade Central do Chile, avalia que o corte de impostos pode estimular investimentos no futuro, mas não basta sozinho nem terá a velocidade que a crise exige.
Desaprovação de Kast atinge 64% nas pesquisas
A economia estagnada e o custo de vida passaram a ocupar o lugar da insegurança como principal preocupação dos chilenos. Kast reconheceu publicamente que o governo enfrenta o pessimismo da população.
O levantamento Agenda Criteria indica que 64% da população desaprova a gestão presidencial. A empresa Cadem, por sua vez, situa a aprovação entre 27% e 32%, contra os 57% registrados quando ele assumiu, em 11 de março. Para 82% dos entrevistados, o desempenho do Executivo ficou abaixo do que se esperava no início.
No debate sobre o Orçamento de 2027 no Congresso, a resistência a cortes sociais é grande. Só 19% aceitam reduzir programas públicos e apenas 8% apoiam a diminuição dos subsídios. Enquanto isso, organizações sociais já anunciam a retomada das mobilizações.
Editoria:
Redação Internacional
A Redação Internacional reúne a cobertura do Clique Fatos sobre os principais acontecimentos fora do Brasil. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



