Descontentamento nas Favelas: Pesquisa Revela Críticas Severas às Operações Policiais no Rio

Moradores de favelas do Rio de Janeiro expressam revolta contra operações policiais! Pesquisa inédita de 2026 aponta 73% de descontentamento. Saiba mais

10/06/2026 09:58

3 min

Descontentamento nas Favelas: Pesquisa Revela Críticas Severas às Operações Policiais no Rio
(Imagem de reprodução da internet).

Moradores de Favelas Expressam Descontentamento com Operações Policiais no Rio de Janeiro

Uma pesquisa inédita, realizada em 2026, revelou o sentimento de grande parte da população que reside nas favelas do Rio de Janeiro em relação às operações policiais. O estudo, conduzido por seis organizações da sociedade civil, buscou entender a perspectiva das comunidades que mais sofrem com a violência no dia a dia, oferecendo uma visão sobre como as pessoas realmente pensam diante da atuação policial.

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A pesquisa envolveu uma escuta qualificada com 4.080 moradores dos Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Maré e Rocinha. Os resultados indicaram um forte descontentamento, com 73% dos entrevistados discordando das operações policiais e 92% reprovando o modelo atual.

A maioria dos moradores (78%) também declarou sentir medo associado à atuação policial.

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Principais Motivos do Descontentamento

O sociólogo Arthur Dóring, do , analisou os dados e destacou que a concordância com as operações não se sustenta, pois a maioria dos que as apoiam também reconhece e considera inaceitáveis os excessos cometidos pela polícia. Ele ressaltou que apenas 20% dos que concordam defendem que as operações devem continuar da mesma forma. “Os moradores e moradoras do Alemão, da Penha, da Maré e da Rocinha estão dizendo com esses números que esse modelo chegou ao seu limite”, afirmou Dóring.

Contexto e Realidades Locais

A pesquisa revelou que moradores da Maré, por exemplo, vivenciam uma média superior a 30 operações por ano entre 2023 e 2025, enquanto a chacina de 122 mortos na Rocinha em outubro do ano passado impactou profundamente a comunidade. É importante ressaltar que, muitas vezes, a opinião daqueles que são mais diretamente afetados pelas ações policiais não é considerada nas decisões que orientam a política de segurança pública.

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Participação das Organizações e Metodologia da Pesquisa

O levantamento foi realizado no mês de janeiro pela Redes da Maré, Frente Penha, Instituto Raízes em Movimento, Instituto Papo Reto, Fala Roça e A Rocinha Resiste. A etapa qualitativa envolveu oito grupos focais com 79 moradores, enquanto a etapa quantitativa consistiu em entrevistas estruturadas presenciais.

A pesquisa buscou compreender os moradores onde aconteceu a operação policial com a maior letalidade do país.

Medos e Percepções da População

Mais de 60% dos entrevistados relataram ter vivenciado alguma situação de ameaça, perda ou medo que influenciou o seu posicionamento negativo sobre as operações policiais. As violações mais citadas foram o direito de ir e vir, agressão, violência, ameaça, intimidação ou humilhação, patrimônio invadido ou violado, abordagem para revista, morte ou ferimento por tiro, extorsão, roubo ou furto, execução, detenção e sequestro.

Um dado relevante é que 59% dos entrevistados não sentem medo dos traficantes de drogas no território.

Conclusões e Análise Final

Arthur Dóring concluiu que a pesquisa expõe uma fratura estrutural na relação entre o Estado e os territórios de favela, e o combate aos grupos armados. A população vive com medo de duas violências: do crime organizado e da atuação da polícia para combater o domínio desses grupos. “Por décadas, o Estado chegou nesses territórios de forma seletiva e precária”, disse Dóring.

Percepções Diferenciadas por Faixa Etária

Thainã de Medeiros, co-fundador do Instituto Papo Reto (Alemão), observou que os moradores acima de 50 anos podem ter uma percepção diferente, mas também demonstram preocupação sobre o modelo atual. “Os que mais concordam [com as operações policiais] possuem um perfil de homens normalmente mais velhos que.

Viram muita promessa de política pública na área da segurança, mas pouca mudança de fato efetiva”, explicou Medeiros.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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