Descontentamento nas Favelas: Pesquisa Revela Críticas Severas às Operações Policiais no Rio

Moradores de Favelas Expressam Descontentamento com Operações Policiais no Rio de Janeiro
Uma pesquisa inédita, realizada em 2026, revelou o sentimento de grande parte da população que reside nas favelas do Rio de Janeiro em relação às operações policiais. O estudo, conduzido por seis organizações da sociedade civil, buscou entender a perspectiva das comunidades que mais sofrem com a violência no dia a dia, oferecendo uma visão sobre como as pessoas realmente pensam diante da atuação policial.
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A pesquisa envolveu uma escuta qualificada com 4.080 moradores dos Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Maré e Rocinha. Os resultados indicaram um forte descontentamento, com 73% dos entrevistados discordando das operações policiais e 92% reprovando o modelo atual.
A maioria dos moradores (78%) também declarou sentir medo associado à atuação policial.
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Principais Motivos do Descontentamento
O sociólogo Arthur Dóring, do , analisou os dados e destacou que a concordância com as operações não se sustenta, pois a maioria dos que as apoiam também reconhece e considera inaceitáveis os excessos cometidos pela polícia. Ele ressaltou que apenas 20% dos que concordam defendem que as operações devem continuar da mesma forma. “Os moradores e moradoras do Alemão, da Penha, da Maré e da Rocinha estão dizendo com esses números que esse modelo chegou ao seu limite”, afirmou Dóring.
Contexto e Realidades Locais
A pesquisa revelou que moradores da Maré, por exemplo, vivenciam uma média superior a 30 operações por ano entre 2023 e 2025, enquanto a chacina de 122 mortos na Rocinha em outubro do ano passado impactou profundamente a comunidade. É importante ressaltar que, muitas vezes, a opinião daqueles que são mais diretamente afetados pelas ações policiais não é considerada nas decisões que orientam a política de segurança pública.
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Participação das Organizações e Metodologia da Pesquisa
O levantamento foi realizado no mês de janeiro pela Redes da Maré, Frente Penha, Instituto Raízes em Movimento, Instituto Papo Reto, Fala Roça e A Rocinha Resiste. A etapa qualitativa envolveu oito grupos focais com 79 moradores, enquanto a etapa quantitativa consistiu em entrevistas estruturadas presenciais.
A pesquisa buscou compreender os moradores onde aconteceu a operação policial com a maior letalidade do país.
Medos e Percepções da População
Mais de 60% dos entrevistados relataram ter vivenciado alguma situação de ameaça, perda ou medo que influenciou o seu posicionamento negativo sobre as operações policiais. As violações mais citadas foram o direito de ir e vir, agressão, violência, ameaça, intimidação ou humilhação, patrimônio invadido ou violado, abordagem para revista, morte ou ferimento por tiro, extorsão, roubo ou furto, execução, detenção e sequestro.
Um dado relevante é que 59% dos entrevistados não sentem medo dos traficantes de drogas no território.
Conclusões e Análise Final
Arthur Dóring concluiu que a pesquisa expõe uma fratura estrutural na relação entre o Estado e os territórios de favela, e o combate aos grupos armados. A população vive com medo de duas violências: do crime organizado e da atuação da polícia para combater o domínio desses grupos. “Por décadas, o Estado chegou nesses territórios de forma seletiva e precária”, disse Dóring.
Percepções Diferenciadas por Faixa Etária
Thainã de Medeiros, co-fundador do Instituto Papo Reto (Alemão), observou que os moradores acima de 50 anos podem ter uma percepção diferente, mas também demonstram preocupação sobre o modelo atual. “Os que mais concordam [com as operações policiais] possuem um perfil de homens normalmente mais velhos que.
Viram muita promessa de política pública na área da segurança, mas pouca mudança de fato efetiva”, explicou Medeiros.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



