Deputados Democratas alertam Trump sobre facções brasileiras e suas consequências para EUA e Brasil

Deputados do Partido Democrata alertam Marco Rubio sobre riscos de designar facções brasileiras como terroristas, destacando impactos nas relações EUA-Brasil.

07/05/2026 15:11

3 min

Deputados Democratas alertam Trump sobre facções brasileiras e suas consequências para EUA e Brasil
(Imagem de reprodução da internet).

Deputados Democratas Alertam EUA sobre Designação de Facções Brasileiras

Nos Estados Unidos, um grupo de deputados do Partido Democrata enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, alertando o governo Trump contra a designação das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras.

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O documento, assinado por sete parlamentares, foi remetido ao chefe da diplomacia americana na quarta-feira (6), um dia antes da reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, na Casa Branca. Rubio não estará presente no encontro, pois viajou ao Vaticano para uma reunião com o papa Leão XIV.

Na carta, os deputados afirmam que tal medida seria “contraproducente e prejudicial às relações entre os EUA e o Brasil”. Eles ressaltam que o governo Trump já utilizou sanções para interferir em assuntos internos brasileiros, mencionando a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Embora as sanções contra Moraes tenham sido suspensas após mediação diplomática, permanecemos preocupados com a postura deste governo em relação ao Brasil”, afirmam os parlamentares.

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Preocupações com Interferência e Eleições

Os deputados expressam receio de que as designações possam ser usadas para influenciar indevidamente as eleições no Brasil, que ocorrerão em seis meses. Essa preocupação é intensificada pelo histórico de intervenções dos EUA no país, incluindo o apoio à ditadura militar após o golpe de 1964.

Eles recomendam que o governo Trump utilize canais diplomáticos e policiais já estabelecidos como uma forma mais eficaz de combater o crime transnacional.

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Os parlamentares concordam com a avaliação de que organizações como o PCC e o CV representam uma séria ameaça à segurança regional, à governança democrática, ao meio ambiente e aos direitos humanos. Eles destacam a expansão dessas facções para a Colômbia, Peru e Bolívia, além do envolvimento na destruição ambiental da floresta amazônica e na violência contra comunidades locais e líderes sociais.

Uso Excessivo das Designações de Terrorismo

No entanto, os democratas expressam preocupação com o uso excessivo e a instrumentalização das designações de Organização Terrorista Estrangeira (FTO) pelo governo Trump, argumentando que isso pode enfraquecer os esforços para combater o crime organizado no hemisfério.

O documento conclui solicitando que as designações sejam utilizadas para garantir a segurança do povo americano, e não para influenciar eleições ou travar guerras ilegais contra organizações criminosas.

O grupo pede que o Departamento de Estado forneça ao Congresso americano todas as evidências relacionadas às atividades do PCC e do CV que atendam aos critérios para a nomeação como Organizações Terroristas Estrangeiras antes de qualquer decisão. “A cooperação dos EUA com as autoridades brasileiras, outros governos regionais e órgãos internacionais de direitos humanos representa o caminho mais eficaz para resultados positivos no combate ao crime organizado, respeitando os princípios democráticos e o direito internacional”, conclui a carta.

Assinaram o documento os deputados James P. McGovern, Greg Casar, Sydney Kamlager-Dove, Jan Schakowsky, Nydia M. Velázquez, Delia C. Ramirez e Rashida Tlaib. A CNN Brasil entrou em contato com o Departamento de Estado americano para comentar sobre a carta e aguarda uma resposta.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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