Deputada Hilton Pede Fim de Apostas em Transmissões Esportivas

A deputada federal Erika Hilton, do Partido Socializante (PSol-SP), protocolou uma ação junto ao Ministério Público Federal (MPF) na última quarta-feira, 23 de junho de 2026. O objetivo é solicitar que o Poder Judiciário estabeleça regras rigorosas para impedir que comentaristas esportivos divulguem ou promovam apostas de maneira ostensiva durante as transmissões de eventos esportivos.
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A parlamentar argumenta que a utilização da autoridade e da credibilidade construída por esses especialistas junto ao público está sendo indevidamente empregada para estimular o hábito de apostar em tempo real.
Uso da Credibilidade Profissional na Promoção de Apostas
Segundo o documento apresentado ao órgão ministerial, a prática de promover apostas ocorre por meio de recomendações de palpites e da divulgação de odds. As odds são as cotações matemáticas utilizadas pelas plataformas de apostas para determinar o retorno potencial de um acerto.
Hilton enfatiza que essa exposição constante transforma a análise esportiva em um veículo de publicidade para jogos de azar.
A deputada criticou veementemente o uso da expertise profissional nesse contexto. “É inaceitável um comentarista usar a sua posição de especialista para induzir os telespectadores a apostarem”, declarou Erika Hilton, reforçando o posicionamento em uma postagem pública.
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Para ela, há uma clara quebra de confiança entre o especialista e o espectador.
Além da questão da indução, a congressista questiona a própria natureza da atividade, afirmando categoricamente que “Bet não é esporte. É jogo de azar“. Essa distinção é central para o pedido, pois busca desvincular a cobertura esportiva da lógica do risco financeiro.
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Exigência de Transparência e Regulação do Conteúdo
O foco da ação judicial não recai sobre nomes específicos de profissionais, emissoras de televisão ou empresas de apostas. Em vez disso, o pedido visa regulamentar a forma como o conteúdo publicitário de apostas é inserido nas transmissões esportivas, exigindo maior clareza para o consumidor.
Erika Hilton defende que é imperativo que sejam adotadas regras mais rígidas para a veiculação de qualquer material relacionado a apostas esportivas. Ela sustenta que o público assistente não consegue distinguir, de maneira inequívoca, quando um comentário técnico é meramente uma análise esportiva e quando ele se configura como uma ação publicitária disfarçada.
Para a deputada, a utilização da imagem e da autoridade de comentaristas para fins promocionais exige um nível de transparência que o mercado atual não oferece. É necessário que o telespectador receba um sinal claro e imediato sobre a natureza comercial do conteúdo que está sendo consumido.
A medida busca proteger o público de práticas que, segundo a parlamentar, misturam o entretenimento esportivo com o risco financeiro, sem o devido alerta regulatório. A ação do MPF reforça a discussão sobre os limites éticos da mídia e o impacto do crescente mercado de apostas no Brasil.
A iniciativa legislativa visa, portanto, reestabelecer uma barreira clara entre a análise desportiva e a publicidade de jogos de azar, garantindo maior proteção ao consumidor de conteúdo audiovisual.
A expectativa é que o Ministério Público Federal analise o pleito, avaliando a viabilidade de um parecer que possa estabelecer diretrizes de conduta para a mídia em relação à cobertura de eventos esportivos.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



