Democratas adotam estratégia de apoiar independentes para aumentar chances no Senado dos EUA em 2026

Democratas buscam reverter histórico de derrotas ao apoiar independentes em estados republicanos, apostando em uma nova estratégia para 2026.

Eleitora vota durante as eleições primárias para o Congresso dos EUA em Nova Jersey em 2 de junho de 2026

A disputa pelo Senado dos EUA em 2026 traz à tona uma estratégia intrigante: em três corridas eleitorais — Idaho, Nebraska e Dakota do Sul — candidatos democratas decidiram abrir mão de suas candidaturas para apoiar um concorrente independente.

O objetivo é aumentar as chances de vitória em estados que tradicionalmente têm maioria republicana. Entretanto, essa abordagem já foi tentada anteriormente sem sucesso em nível federal. Surge a dúvida: será que agora funcionará?

Embora a situação ainda pareça desafiadora, o histórico sugere que vale a pena tentar. Os Democratas visam impedir que os Republicanos conquistem cadeiras em locais onde as chances de vitória seriam mínimas. Exemplos notáveis dessa tática incluem as candidaturas independentes de Greg Orman no Kansas em 2014, Evan McMullin em Utah em 2022 e Dan Osborn em Nebraska na eleição de 2024.

Osborn, um veterano da Marinha e organizador sindical, volta à disputa em 2026, ao lado de Todd Achilles, ex – deputado estadual em Idaho, e Brian Bengs, tenente – coronel aposentado da Força Aérea que já concorreu como democrata na Dakota do Sul.

Resultados das eleições anteriores

A candidatura de Osborn dois anos atrás foi um exemplo significativo dessa estratégia. Apesar da derrota, ele conseguiu limitar a senadora republicana Deb Fischer a apenas 53% dos votos, uma queda considerável se comparada aos 59% obtidos por Donald Trump na mesma cédula.

Essa margem de derrota de sete pontos foi bem mais apertada do que a derrota da candidata democrata à presidência, Kamala Harris, que perdeu por 21 pontos. O resultado também representou o pior desempenho republicano no Nebraska desde a última vitória do senador democrata Ben Nelson há duas décadas.

O caso de McMullin em Utah também foi digno de nota. Em 2022, ele ficou a menos de dez pontos da vitória em um estado onde os Democratas haviam perdido por mais de 20 pontos nas últimas duas eleições presidenciais. Para encontrar um desempenho pior do Partido Republicano naquele estado, é necessário voltar até 1976, quando havia senadores democratas.

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No Kansas, mesmo com um desempenho considerado menos impressionante historicamente para Orman em 2014 — derrota por 11 pontos — isso foi notável devido ao contexto favorável aos republicanos naquele ano. O Partido Republicano conquistou nove cadeiras no Senado naquele ciclo eleitoral.

Assim, temos os piores resultados republicanos nos últimos 20 anos no Nebraska e nos últimos 50 anos em Utah. Embora essas não sejam vitórias para os candidatos independentes, elas também não podem ser consideradas derrotas significativas.

A experiência no Alasca e perspectivas futuras

No Alasca, uma situação semelhante ocorreu em 2020 quando o candidato independente Al Gross conquistou a indicação dos Democratas mesmo sem estar filiado ao partido. Sua derrota por quase 13 pontos não foi excepcional; porém, Bill Walker conseguiu vencer na corrida para governador em 2014 após o candidato democrata desistir e se tornar seu vice.

Contudo, essa estratégia tem demonstrado maior eficácia nas disputas para governadores do que nas eleições para o Senado. As eleições para o Senado tendem a ser mais polarizadas e os eleitores frequentemente veem os candidatos como representantes dos partidos ao invés de indivíduos independentes.

Isso pode explicar o fenômeno observado com candidatos independentes que aparecem bem nas pesquisas pré – eleitorais mas acabam perdendo nas urnas.

Apesar disso tudo, o fato de que essa tática possa prejudicar os Republicanos não garante sucesso nos casos atuais em Idaho, Nebraska e Dakota do Sul. Estes estados podem ser considerados muito republicanos para que tal abordagem funcione eficazmente. É importante lembrar também que os anos anteriores — 2014, 2022 e 2024 — não foram particularmente bons para os Democratas.

A esperança otimista para os Democratas é que esta estratégia tenha funcionado parcialmente no passado e possa ter um desempenho ainda melhor agora devido a um cenário mais favorável. No mínimo, eles acreditam que vale a tentativa.