Demanda da China por sorgo eleva exportações do Brasil para 1 milhão de toneladas em 2026

O aumento das exportações brasileiras de sorgo para a China reflete uma mudança na formulação de rações, impactando o mercado de grãos no país

(Imagem de reprodução da internet).

Aumento da demanda chinesa por sorgo impulsiona exportações brasileiras

A demanda crescente da China por sorgo tem elevado as exportações do Brasil e sustentado preços altos do milho nos portos nacionais. Atualmente, o sorgo é comercializado por cerca de R$ 70 por saca, enquanto o milho está próximo de R$ 64, refletindo o forte interesse do mercado chinês pelo grão.

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Ronaldo Fernandes, consultor e analista de mercado da Royal Rural, explica que essa movimentação ocorre em meio a uma mudança estratégica na formulação de rações animais na China. “A China, por uma razão interna, está refazendo a fórmula de ração, aumentando DDG (grãos secos de destilaria) e sorgo, e, pelo menos, querendo reduzir farelo e milho”, afirmou Fernandes.

Impacto da valorização do sorgo nos preços do milho

Apesar da valorização do sorgo, os preços do milho não têm aumentado, pois a demanda chinesa está focada especificamente no sorgo. “A China tem milho e não tem sorgo, e isso não quer dizer que o preço do sorgo vai puxar o preço do milho. Ao contrário, o sorgo subiu e o milho não, e deve seguir assim.

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Essa demanda tem prazo e meta; atingiu o preço, volta”, concluiu o analista.

Estratégia de diversificação de matérias-primas na China

A estratégia chinesa visa maior eficiência na alimentação animal e diversificação das matérias-primas. Embora a China mantenha estoques de milho, a oferta doméstica de sorgo é insuficiente, o que torna necessária a importação do cereal. Esse cenário tem beneficiado o Brasil, que ampliou sua participação no comércio internacional de sorgo.

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Até o momento, o Brasil já exportou mais de 600 mil toneladas do produto, com expectativa de que os embarques cheguem a 1 milhão de toneladas nos próximos meses, segundo Fernandes.

Produção de sorgo no Brasil e potencial de crescimento

O Brasil produz entre 7,5 milhões e 8 milhões de toneladas de sorgo. Paulo Bertolini, presidente da Abramilho, destacou que o país ocupa uma posição relevante no ranking global de produtores. “Estamos entre o terceiro e o segundo maior produtor mundial de sorgo, com a perspectiva de nos tornarmos o maior produtor mundial em breve”, afirmou.

Dados da Conab mostram um aumento de 1,5 milhão de toneladas na produção de sorgo em relação à safra anterior, com um crescimento de 31,7% na área plantada, totalizando 516,6 mil hectares.

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Regiões com potencial para cultivo de sorgo

Bertolini ressaltou que o sorgo é cultivado principalmente no Centro-Oeste, com Goiás sendo um grande produtor. No entanto, o potencial de crescimento do sorgo se estende além dessa região. “São Paulo pode crescer muito no sorgo, inclusive na rotação de cultura com a cana-de-açúcar, assim como Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais”, destacou a Abramilho.

Ele também mencionou que a Bahia exportou recentemente 30 mil toneladas de sorgo para a África, evidenciando a viabilidade de mercado e condições de produção. “Precisamos agora abrir esses mercados externos e melhorar nossa logística interna”, acrescentou.

Mercado internacional e oportunidades para o Brasil

A Associação Brasileira dos Produtores de Milho informou que a China importa cerca de 10 milhões de toneladas de sorgo anualmente. Por questões geopolíticas, o Brasil tem se tornado uma opção de fornecimento para o país asiático. O grão também é utilizado para a produção de etanol no Brasil, tornando o país uma alternativa estratégica.

Atualmente, apenas três ou quatro empresas brasileiras estão habilitadas para exportar o produto para a China, mas há uma lista de mais de 100 empresas registradas no Brasil que aguardam autorização para exportação. “Na medida que isso aconteça, há uma possibilidade de um aumento significativo e rápido das exportações”, concluiu Bertolini.