Defesa de Robinho tenta reverter classificação de pena de estupro como hedionda no STF

A defesa de Robinho tenta reverter a classificação de hediondez em sua pena de estupro, alegando que a Justiça italiana não a impôs. Entenda os detalhes!

05/06/2026 17:41

3 min

Defesa de Robinho tenta reverter classificação de pena de estupro como hedionda no STF
(Imagem de reprodução da internet).

Defesa de Robinho busca afastar natureza hedionda da pena de estupro

A defesa do ex-jogador Robinho apresentou ao STF (Supremo Tribunal Federal) memoriais no habeas corpus com o objetivo de contestar a classificação de hediondez na execução da pena de estupro que ele cumpre no Brasil. Os documentos foram enviados para análise do relator, ministro Luiz Fux.

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Conforme o material acessado pela CNN Brasil, os advogados argumentam que a condenação imposta pela Justiça italiana não categoriza o crime como hediondo e que a aplicação dessa classificação pelo Judiciário brasileiro teria agravado indevidamente os efeitos da sentença estrangeira.

Robinho foi condenado pela Justiça italiana a nove anos de prisão por sua participação em um estupro coletivo ocorrido em 2013. Ele começou a cumprir pena no Brasil após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) homologar a sentença. O ex-jogador, que atuou pelo Santos e pela Seleção Brasileira, está preso desde março de 2024, inicialmente na Penitenciária 2 de Tremembé e, atualmente, no Centro de Ressocialização de Limeira, no interior de São Paulo.

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Argumentos da defesa

A defesa ressalta que o Estado Brasileiro, embora afirme não poder interferir nas decisões da Justiça italiana, atribuiu uma categoria penal que não existe na sentença homologada, já que a Itália não possui uma classificação de “crimes hediondos” que corresponda à Lei nº 8.072/90 do Brasil.

O advogado Bruno Dias Cândido, responsável pelo pedido, destacou que a classificação de hediondez impacta diretamente no conteúdo da pena e não pode ser adicionada posteriormente ao título estrangeiro homologado, prejudicando o réu.

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Os advogados sustentam que a inclusão da hediondez na jurisdição brasileira não é compatível com a teoria do direito, que reconhece que cada país possui seu próprio regime jurídico, não permitindo a combinação das legislações penais. A defesa argumenta que isso extrapola o direito de agravar a pena sem a devida autoridade sobre o caso.

Além disso, o pedido contesta o princípio de isometria aplicado pelo Brasil, que justifica o agravamento da pena, alegando que Robinho não se encontra na mesma posição jurídica de quem foi julgado no Brasil.

Contexto da condenação

Robinho, ídolo do Santos e com passagens por clubes como Atlético, Real Madrid, Manchester City e Milan, foi condenado por sua participação no estupro coletivo de uma mulher de 23 anos em uma boate na Itália, em 2013, quando jogava pelo Milan. Durante as investigações, a Justiça italiana interceptou ligações telefônicas entre o ex-atleta e outros acusados, onde teriam feito piadas sobre o ocorrido, acreditando que não seriam punidos.

As investigações revelaram que Robinho e seus amigos estavam em uma boate em Milão, comemorando um aniversário, quando conheceram a vítima. Em uma das interceptações, Robinho menciona que os amigos “rangaram” a vítima, caracterizando o ato como estupro coletivo.

Como o crime ocorreu na Itália, Robinho foi processado e condenado pela Justiça italiana. Após o trânsito em julgado da condenação, as autoridades italianas solicitaram a cooperação do Brasil para o cumprimento da pena. Devido à proibição da extradição de brasileiros natos pela Constituição Federal, o STJ homologou a sentença estrangeira e autorizou a transferência da execução da pena para o Brasil.

Nos últimos anos, a defesa de Robinho tem feito diversas solicitações. A CNN Brasil entrou em contato com o STF, mas não obteve resposta até o momento. O espaço permanece aberto para novas informações.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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