Defesa de Mauro Cid vê nova chance de reduzir pena após decisão do STF sobre medidas cautelares

A nova decisão do STF sobre medidas cautelares pode abrir caminho para a defesa de Mauro Cid solicitar a redução de sua pena, alterando o cenário do caso.

O tenente-coronel Mauro Cid em depoimento ao STF

A defesa do tenente – coronel Mauro Cid, condenado no processo relacionado à tentativa de golpe, vê uma nova esperança de libertação após uma decisão do plenário do STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro Alexandre de Moraes, que já impôs restrições a Cid, teve uma derrota que pode impactar o futuro do caso.

Cid cumpre pena de 2 anos em regime aberto devido a um acordo de colaboração premiada, e enfrenta várias limitações, como a proibição de deixar Brasília sem autorização judicial e o recolhimento domiciliar das 20h às 6h.

Logo após a condenação, os advogados de Cid solicitaram ao STF que descontasse do tempo da pena a duração das medidas cautelares impostas durante as investigações. Eles argumentam que esse período deve ser considerado para evitar uma dupla punição.

Contudo, Moraes rejeitou esses pedidos, permitindo apenas que o tempo de prisão preventiva fosse descontado. Para ele, as medidas cautelares não podem ser contabilizadas dessa forma.

Decisão recente abre precedentes

A defesa de Cid se anima com uma decisão recente do plenário sobre um caso semelhante. Na semana passada, o STF reconheceu a possibilidade de abater da pena o tempo em que uma condenada cumpriu medidas cautelares. O caso envolve Simone Macedo, presa em 9 de janeiro de 2023 por associação criminosa e incitação ao crime, e condenada a 1 ano em regime aberto.

A defesa de Simone pediu que fossem descontados os períodos em que ela cumpriu penas preventivas e outras restrições. Moraes aceitou apenas o abatimento dos dias em prisão preventiva. No entanto, Cristiano Zanin divergiu ao afirmar que o recolhimento noturno deveria ser considerado equivalente ao cumprimento da pena em regime aberto.

A maioria dos ministros concordou com essa visão e decidiu por um abatimento integral.

Leia também

Recurso da defesa de Mauro Cid

Seguindo um caminho similar ao da defesa de Simone, os advogados de Mauro Cid apresentaram um agravo regimental contra a decisão negativa de Moraes. Esse recurso visa levar a questão à análise da Primeira Turma do STF. A defesa argumenta que Cid já cumpriu tempo superior aos 2 anos estabelecidos pela condenação quando considerados os períodos sob medidas cautelares.

Vânia Bittencourt, advogada de Cid, acredita que a decisão no caso de Simone é favorável para aqueles que passaram por restrições cautelares. Ela destacou que essa evolução no entendimento do Supremo reforça a tese defendida pela equipe jurídica do tenente – coronel.

A composição atual da Primeira Turma inclui Moraes e Flávio Dino com um entendimento mais rígido e Cármen Lúcia e Zanin dispostos a considerar as cautelares para eventuais abates na pena.

O recurso ainda precisa ser pautado para julgamento e poderá trazer mudanças significativas na situação legal de Mauro Cid. Em caso de empate na votação da Primeira Turma, a decisão será favorável ao réu.