Defesa de executivo chileno preso por racismo pede tratamento psicológico urgente

Defesa de executivo chileno preso por ofensas racistas se pronuncia
A defesa do executivo chileno, detido por fazer comentários racistas, xenofóbicos e homofóbicos contra um comissário de bordo em um voo da Latam, se manifestou na tarde desta segunda-feira (18). Germán Andrés Naranjo Maldini, que atua como executivo comercial há 10 anos na Landes, uma empresa de pescados, foi flagrado em vídeo ofendendo o funcionário, chamando-o de “preto” e “macaco”, além de imitar o animal.
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Ele foi afastado preventivamente da companhia no último sábado (16).
Os advogados de Germán alegam que ele teve um surto psicótico e que já está em tratamento desde 2013. A defesa afirma que o executivo não se recorda dos acontecimentos. “Ele está consternado com a situação, pois isso não condiz com sua trajetória pessoal, familiar e profissional”, destacaram.
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Em uma nota, o chileno pediu desculpas ao funcionário da LATAM e ao povo brasileiro pelas ofensas feitas durante o surto. A defesa expressou preocupação com a saúde mental de Germán, que se encontra preso preventivamente no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos.
Os advogados ressaltaram que ele faz uso contínuo de medicamentos e que a falta deles pode levar a um novo surto, colocando sua segurança em risco dentro da prisão. “É urgente que Germán receba tratamento adequado, com transferência para uma clínica ou unidade hospitalar que possibilite a continuidade de seu tratamento”, concluíram.
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O chileno está detido há três dias e as investigações pela Polícia Federal continuam em andamento.
Entenda o caso
As ofensas proferidas por Germán Andrés Naranjo Maldini ocorreram durante um voo da Latam, que partiu do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, com destino a Frankfurt, na Alemanha. A confusão começou quando o passageiro tentou abrir a porta do avião e foi contido pelos tripulantes, iniciando uma série de ataques verbais contra um funcionário da companhia aérea.
Em vídeos gravados pela vítima, o executivo começou os insultos afirmando: “Ele é gay, eu não sou gay. Para mim é um problema ser gay”. Quando questionado pelo comissário sobre o fato de ele ser gay e negro, Germán continuou com as ofensas: “A pele preta… que mais?
O cheiro de preto, o cheiro de brasileiro…”. Apesar dos pedidos da tripulação para que se acalmasse, o chileno continuou a ofender, chamando o tripulante de “preto” e “macaco”, imitando o animal no meio da aeronave.
O homem foi localizado e preso preventivamente pela Polícia Federal na sexta-feira (15), ao retornar ao Brasil em uma conexão de Frankfurt. Após audiência de custódia, onde a prisão preventiva foi mantida, Germán foi transferido para o CDP de Guarulhos, à disposição da Justiça.
Além da prisão, ele foi formalmente afastado de seu cargo na empresa chilena de pescados.
A Latam emitiu um comunicado condenando qualquer ato de discriminação, afirmando que a atitude de Germán é incompatível com os valores da organização. A companhia também informou que está prestando apoio ao funcionário que foi vítima das ofensas. “A LATAM repudia veementemente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia.
A companhia colabora integralmente com a Polícia Federal no caso do passageiro que praticou violência discriminatória contra um de seus tripulantes no voo LA8070 (São Paulo-Frankfurt), de 10 de maio, e que foi detido no aeroporto de Guarulhos em 15 de maio.
A LATAM esclarece ainda que oferece acolhimento psicológico e suporte jurídico ao funcionário vítima dessa violência”, finalizou a nota.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



