Decisão de Flávio Dino no STF proíbe emendas de presidentes de partidos e invalida documentos

A decisão de Flávio Dino reforça a autonomia dos parlamentares na destinação de emendas, impactando a gestão de recursos públicos e a atuação dos partidos.

25/08/2026 04:20

3 min

Ministro Flávio Dino durante sessão plenária do STF
Ministro Flávio Dino durante sessão plenária do STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Câmara dos Deputados e o Senado rejeitem qualquer emenda parlamentar atribuída a presidentes de partidos. A decisão foi motivada por diversas respostas de legendas que negaram que suas presidências tenham poder sobre a destinação desses recursos.

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Os presidentes das duas casas legislativas, Hugo Motta (Republicanos – PB) e Davi Alcolumbre (União – AP), deverão informar seus órgãos técnicos e servidores que dirigentes partidários não podem indicar, distribuir ou alocar recursos. Qualquer documento que atribua esse poder a um líder partidário ou a um ex – parlamentar será considerado juridicamente inválido e não poderá embasar a execução da despesa pública.

Investigações sobre emendas

A determinação de Dino surge após um mês e meio de apuração. Em julho, ele solicitou informações aos partidos após Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, afirmar que os líderes participavam da destinação de emendas, indicando inclusive recursos.

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Essa declaração levou o ministro a investigar se tal participação ocorria, formal ou informalmente, nas diversas siglas.

No total, dezenove partidos responderam ao chamado inicial, afirmando que suas presidências não têm acesso a cotas ou mecanismos para alocação de emendas. Dino registrou uma “inequívoca convergência” entre as legendas de que apenas parlamentares e órgãos competentes do Poder Legislativo podem indicar e destinar esses recursos.

O Solidariedade e o Podemos, que não haviam se manifestado anteriormente, enviaram suas respostas na segunda – feira (24), completando um total de 21 legendas ouvidas pelo Supremo. O Solidariedade argumentou que seu presidente, deputado federal Paulinho da Força, atua apenas como parlamentar nas indicações de emendas.

Por sua vez, o Podemos afirmou que sua presidência não possui qualquer mecanismo para alocação de emendas.

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Encaminhamentos à Polícia Federal

Dino também decidiu encaminhar as manifestações dos partidos à Polícia Federal para auxiliar na compreensão dos procedimentos formais relacionados às emendas e esclarecer fatos já sob investigação. Com isso, será possível confrontar as versões apresentadas pelas legendas com outras evidências coletadas durante a apuração sobre possíveis irregularidades na indicação e na destinação dos recursos.

A decisão reafirma o entendimento já estabelecido por Dino em dezembro de 2024: o ordenamento jurídico não reconhece a figura autônoma das chamadas “emendas de líder”. Para o ministro, uma indicação feita sem competência legal ou constitucional não pode ser validada apenas pela intervenção de um parlamentar autorizado.

O descumprimento dessa determinação poderá resultar em responsabilização disciplinar, além de possíveis consequências nas esferas civil e penal.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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