Debate acirrado na Câmara sobre redução da maioridade penal para 16 anos

Debate acirrado na Câmara sobre redução da maioridade penal! PEC 32/15 busca mudar a idade mínima para responder criminalmente. Especialistas alertam sobre

(Imagem de reprodução da internet).

Debate Aceso sobre a Redução da Maioridade Penal

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados está no centro de um intenso debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/15, que propõe alterar a idade mínima para responder criminalmente, reduzindo-a de 18 para 16 anos em casos considerados graves.

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A medida tem gerado forte resistência de diversos setores, com especialistas alertando para potenciais consequências negativas.

O defensor público Rodrigo Azambuja se manifestou contra a proposta, argumentando que ela ultrapassa os limites constitucionais ao afetar direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal. Ele ressaltou que o artigo 228 da Constituição, que estabelece a idade mínima para responsabilização penal em 18 anos e a aplicação de medidas socioeducativas para menores antes dessa idade, é uma garantia individual que não pode ser alterada por emendas constitucionais.

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Azambuja também destacou que o sistema prisional brasileiro já é considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), devido a problemas como superlotação, violência e violações de direitos humanos.

A adolescência e o desenvolvimento cerebral também são pontos centrais no debate. Rafael Oliveira, assessor de advocacia da Rede de Justiça Criminal (RJC), enfatizou que a PEC rompe com o princípio da proteção integral previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que reconhece crianças e adolescentes como pessoas em condição especial de desenvolvimento.

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Ele defendeu que o Estado deve oferecer tratamento especial a esses jovens em situações de conflito com a lei.

Críticas e Preocupações com o Sistema Prisional

Além das questões constitucionais e de direitos humanos, a PEC 32/15 também enfrenta críticas relacionadas ao impacto financeiro e estrutural da proposta. Luiza S. de Carvalho, assistente social e pesquisadora, alertou que a redução da maioridade penal faz parte de uma tendência de ampliação do punitivismo no Brasil, com foco no aumento de penas e no encarceramento como resposta à violência.

Ela criticou a falta de estudos sobre os impactos da proposta, que exigiria a criação de unidades específicas para jovens entre 16 e 18 anos.

A preocupação com o sistema prisional brasileiro também é constante. Rafael Oliveira alertou que a ampliação do encarceramento pode fortalecer facções criminosas dentro das prisões e levar a um aumento de casos de tortura e violações de direitos.

Luiza também ressaltou o perfil racial e social dos adolescentes atendidos pelo sistema socioeducativo, argumentando que o debate sobre punição ignora desigualdades e o racismo estrutural presentes na aplicação da lei penal.

Desafios e Perspectivas

A discussão sobre a PEC 32/15 também envolve a análise do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e do ECA, que já prevê a internação de adolescentes por atos graves. Especialistas defendem que a responsabilização de adolescentes já existe no Brasil, mas que é preciso aprimorar os mecanismos de atendimento e proteção, em vez de simplesmente aumentar as penas.

A ampliação do encarceramento não ataca as causas estruturais da violência e pode reforçar desigualdades históricas, como apontam diversos especialistas. A defesa da maioridade penal aos 18 anos não é defesa da impunidade, mas sim a defesa de uma responsabilização compatível com a Constituição e com os direitos humanos.