David Solomon, do Goldman Sachs, cita conselho da avó: “Não tenha pressa” e conta sua rotina matinal
David Solomon, CEO do Goldman Sachs, disse à NBC News que o melhor conselho de carreira que recebeu veio de sua avó: “Não tenha pressa”. Ele deu a resposta em uma rodada de perguntas rápidas com Christine Romans, exibida na série “Business in America”.
A conversa foi ao ar em 23 de outubro, um dia depois de o Goldman lançar o Small Business AI Institute, parte de um compromisso de US$ 500 milhões com o programa 10,000 Small Businesses. Anthropic, Google, Meta e OpenAI são parceiros da iniciativa. No segmento do Nightly News, Solomon se disse animado com o que a inteligência artificial pode trazer para as empresas e para a longevidade das pessoas.
Academia, café e shake de proteína antes das 7h
Quando perguntado sobre o que faz antes das 7h, Solomon foi objetivo: acorda, vai à academia e costuma tomar um café com um shake de proteína. Treinar cedo é um hábito comum entre executivos, como o CEO da Bupa, que treina seis dias por semana com o filho da geração Z, e os líderes retratados na série Day in the Life of a CEO, da Fortune.
A pesquisa científica, porém, dá menos peso ao horário do que à regularidade. Uma revisão sistemática de 2022, publicada na Health Promotion and Chronic Disease Prevention in Canada, da Agência de Saúde Pública do Canadá, analisou 35 estudos.
Onze apontaram benefícios maiores para a atividade matinal, 12 indicaram vantagens para o treino à tarde ou à noite, e 12 não encontraram diferença clara. Os autores concluíram que não há evidências consistentes de que um horário seja melhor para a saúde, e classificaram a qualidade dessas evidências como muito baixa.
Solomon aposta na agenda para não perder tempo
O recurso que Solomon mais valoriza para organizar o dia é seguir a programação. Para ele, o tempo é o único bem que não se recupera, e por isso tenta ser bem consciente de como o gasta. Na prática, isso significa assumir compromissos e cumpri-los, já que é fácil escapar da agenda.
Uma meta-análise de 2021, publicada na PLOS ONE por Brad Aeon, Aïda Faber e Alexandra Panaccio, respalda essa visão, com uma ressalva. O estudo constatou que a gestão do tempo está positivamente associada ao desempenho profissional. A relação, no entanto, foi ainda mais forte com o bem-estar, sobretudo com a satisfação com a vida.
À primeira vista, “siga a programação” e “não tenha pressa” parecem contraditórios. Para Solomon, cada conselho vale para um horizonte: disciplina na gestão das horas do dia e paciência com o desenvolvimento da carreira. Em agosto, ele disse aos estagiários de verão do Goldman, durante um encontro geral, que dedicar mais tempo pode abrir oportunidades.
Na semana do lançamento do instituto, repetiu a ideia aos donos de pequenas empresas: “o importante é fazer direito, não fazer mais rápido”.
Paixão precisa servir ao objetivo, não o contrário
Solomon admitiu que tende a se aprofundar em tudo o que desperta seu interesse. “Se estou interessado em alguma coisa, fico muito obcecado por ela. Não gosto de fazer as coisas pela metade”, afirmou.
Os psicólogos veem essa intensidade com cautela. Em um estudo de 2007 publicado no Journal of Personality, Robert Vallerand e colegas distinguiram a paixão “harmoniosa”, escolhida livremente e encaixada no restante da vida, da paixão “obsessiva”, sentida como compulsão.
A obsessiva se ligava à prática deliberada e ao domínio de habilidades, o que ajudava o desempenho, mas também a objetivos movidos pelo medo do fracasso, que prejudicavam os resultados. A paixão harmoniosa trazia os benefícios com menos desvantagens.
Solomon também citou uma ambição que precisou deixar de lado: jogar basquete profissionalmente. Ele reconheceu que essa possibilidade está fora de questão.
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