Daniel Vorcaro contatou diretores da PF e PGR antes de sua prisão, revela relatório do STF

O relatório do STF revela que Daniel Vorcaro tentou influenciar diretores da PF e PGR antes de sua prisão, levantando suspeitas sobre sua atuação

(Imagem de reprodução da internet).

Ex-banqueiro Daniel Vorcaro contatou diretores da PF e PGR antes da prisão

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro buscou contato com os diretores da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e da Procuradoria Geral da República (PGR), Paulo Gonet, pouco antes de sua prisão, conforme um relatório preliminar divulgado nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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De acordo com o documento, pouco antes de sua primeira prisão, em novembro de 2025, Vorcaro solicitou que um interlocutor reforçasse com os diretores para que os subordinados das corporações não realizassem “alguma sacanagem”, sob pena de que “tudo iria pro saco”.

O conteúdo da investigação revelou que o interlocutor não teve sua identidade divulgada.

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Informações confidenciais e monitoramento de autoridades

Uma nota encontrada no celular de Daniel Vorcaro indicou que ele recebeu informações confidenciais de amigos dentro do Banco Central, que estavam “preocupados” com a pressão da PF e do Ministério Público contra o Bacen, antes da deflagração da operação.

Desde julho de 2025, o ex-banqueiro mantinha um esquema que poderia envolver fraudes do liquidado Banco Master, por onde obteve acesso à Notícia de Fato que deu início à Operação Compliance Zero.

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Com base nas informações dos envolvidos, Vorcaro passou a monitorar as autoridades para tentar influenciar agentes públicos. A investigação revelou que sua influência chegou ao Banco Central, onde soube de uma reunião sigilosa entre a PF e o BCB sobre as investigações do Banco Master.

Quatro dias após a reunião, ele registrou os nomes dos representantes da PF presentes e de outros três procuradores da República que não participaram do encontro.

Viagem a Abu Dhabi e vazamento de informações

Posteriormente, Vorcaro planejou uma viagem a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para se encontrar com o interlocutor que participou da reunião e repassou informações sigilosas sobre a investigação. Ele também tinha conhecimento sobre em qual vara o caso seria julgado e o nome do juiz responsável pelo pedido de medida cautelar.

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Quando interrogado pela delegada Janaína Palazzo sobre a origem de tais informações, Vorcaro afirmou que soube após publicações na imprensa. No entanto, a investigação da PF apontou que foi o próprio ex-banqueiro quem vazou as informações para o jornalista responsável pela matéria.

Prints divulgados na petição mostram que o repórter recebia dinheiro de Vorcaro para publicar informações de interesse do banqueiro.