Cushioning: manter “plano B” em namoro sério é traição? O que dizem especialistas sobre a prática
Uma pessoa em um relacionamento sério e monogâmico pode continuar trocando mensagens com antigos “contatinhos”. Essa prática tem nome: o “cushioning”, tendência dos namoros modernos que consiste em manter por perto as chamadas “segundas opções”.
Para especialistas, a atitude não indica vontade de romper com o parceiro atual, mas pode revelar falta de compromisso e dependência emocional.
O nome vem da palavra “cushion”, que significa almofada. A ideia é amortecer o sofrimento e garantir um novo amor caso a relação principal termine. Na prática, a pessoa cria uma rede de segurança afetiva antes que ela seja necessária.
Por que o comportamento intriga a psicologia
O cushioning chama atenção porque contraria o modelo do investimento, criado por Caryl E. Rusbult. A teoria prevê que as pessoas se comprometem mais com uma relação à medida que investem tempo, dinheiro e outros recursos nela. Pelo modelo, um término significaria perder não só o parceiro, mas também tudo o que foi gasto e vivido com ele.
Um estudo de 2014 ouviu 374 estudantes universitários e identificou mensagens de texto e o Facebook como as principais formas de interação com os “planos B”. Apenas 13% faziam ligações telefônicas com esses contatos. Os homens participantes tinham mais alternativas do que as mulheres, e esse número crescia conforme a qualidade atribuída a essas pessoas.
O que os dados não confirmaram
A maior surpresa veio dos comprometidos. Para eles, não foi verificada nenhuma associação entre o nível de investimento na relação principal e o volume de interações com o “contatinho”. Também não houve diferenças relevantes entre o número de reservas mantidas por solteiros e por pessoas comprometidas.
“Ficamos muito confusos por não encontrarmos uma ligação entre comprometimento e ‘backburners’. Se o modelo de investimento funciona, deveríamos ver uma conexão forte”, disse o pesquisador. “Talvez o modelo de investimento não funcione na internet.”
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Apego ansioso e evitativo ao mesmo tempo
Para a assistente social Elisabeth LaMotte, que realiza o aconselhamento de famílias, o comportamento combina dois tipos de apego. “A pessoa está, ao mesmo tempo, ansiosamente apegando-se a um novo parceiro, enquanto evita o parceiro atual”, descreve. “É um exemplo interessante de como, em nosso estado mais reativo, podemos demonstrar apegos ansiosos e evitativos.”
Segundo ela, há na raiz do cushioning um medo subconsciente de intimidade verdadeira. “A estratégia sabota o relacionamento atual e destrói a oportunidade de abordar o problema de forma direta e vulnerável.”
Editoria:
Redação Variedades
A Redação Variedades reúne a cobertura do Clique Fatos sobre horóscopo, comportamento e curiosidades. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.