O governo de Cuba anunciou nesta quinta-feira (2) a libertação de 2.010 prisioneiros, marcando a maior soltura desse tipo em anos. A decisão ocorre em meio a crescente pressão da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O indulto foi concedido com base na boa conduta dos detentos, na condição de saúde e na natureza dos “atos cometidos”, conforme divulgado pelo Granma, jornal oficial do Partido Comunista.
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A lista de beneficiados inclui jovens, mulheres, pessoas com mais de 60 anos e estrangeiros, mas não abrange aqueles que cometeram crimes graves como assassinato, homicídio, agressão sexual ou “crimes contra a autoridade”. Este é o quinto indulto concedido pelo governo cubano desde 2011.
A Human Rights Watch aponta que Cuba frequentemente detém e persegue dissidentes, incluindo ativistas, jornalistas e opositores políticos.
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Havana já havia realizado grandes libertações de prisioneiros em acordos com atores internacionais. No início de 2025, Cuba soltou 553 detentos após negociações com os Estados Unidos e o Vaticano, onde o governo Biden se comprometeu a aliviar sanções.
Entretanto, Donald Trump cancelou o acordo ao assumir a presidência, levando Cuba a suspender temporariamente a libertação de prisioneiros, que foi concluída em março.
O comunicado do Granma não fez menção aos Estados Unidos, atribuindo a decisão às “celebrações religiosas da Semana Santa”, enquanto cristãos ao redor do mundo celebram a Páscoa. Contudo, Cuba tem enfrentado uma intensa campanha de pressão do governo Trump, que agravou a já debilitada economia da ilha.
Recentemente, o governo Trump interrompeu o fluxo de petróleo para Cuba, utilizando ações militares na Venezuela e ameaças de tarifas ao México, na tentativa de forçar reformas políticas e econômicas no país. Trump tem insistido que o governo cubano precisa abrir sua economia centralizada antes que ela entre em colapso, frequentemente mencionando seu desejo de “tomar Cuba”.
Muitos aliados políticos de Trump, como o secretário de Estado Marco Rubio, defendem uma mudança na liderança comunista da ilha.
A situação econômica de Cuba se deteriorou rapidamente, com a escassez de petróleo afetando o abastecimento de veículos e a geração de eletricidade. O país já enfrentava apagões prolongados, mas a situação se agravou, levando a um colapso temporário da energia em março, que deixou mais de 10 milhões de habitantes sem eletricidade.
A vida cotidiana foi severamente impactada, com aulas suspensas, trabalhadores afastados para economizar energia e voos cancelados devido à falta de combustível de aviação.
Na última semana, Trump permitiu a entrada de um navio em águas cubanas, rompendo o bloqueio de combustível, afirmando que “eles precisam sobreviver”. A Casa Branca, no entanto, esclareceu que isso “não representa uma mudança de política”.
Desde a revolução liderada por Fidel Castro em 1959, Cuba vive sob um rigoroso embargo econômico dos EUA, que limita a maioria das atividades comerciais envolvendo americanos e impõe barreiras legais significativas para novos investimentos.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.
