Crises Globais e Soberania: Debate da UnB Revela Desafios para a Classe Trabalhadora

Crises Globais e a Luta por Soberanias: Debate UnB Apresenta Desafios para a Classe Trabalhadora
A crise estrutural do capitalismo se manifesta em diversas frentes – energética, ambiental, sanitária, geopolítica e civilizatória – impactando diretamente os territórios populares. A necessidade de construir soberanias em cada uma dessas áreas foi o foco de um debate realizado em Brasília, no Centro Comunitário Athos Bulcão da Universidade de Brasília (UnB), durante a mesa de conjuntura “O Mundo em Disputa: Desafios e Caminhos da Classe Trabalhadora”.
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O evento reuniu lideranças de movimentos sociais e representantes da cidade para analisar as complexas crises globais e os desafios enfrentados pela classe trabalhadora no cenário político e econômico atual.
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O debate foi impulsionado por análises que apontam para cinco crises fundamentais: a energética, a ambiental, a sanitária, a geopolítica e a civilizatória. O dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Camponeses (MPA), Anderson Amaro, destacou a corrida internacional por minerais estratégicos, ressaltando a importância das reservas brasileiras de terras raras e lítio, que estão sendo disputadas em benefício do agronegócio.
Amaro defendeu a agricultura camponesa e a agroecologia como alternativas concretas, propondo sistemas alimentares resilientes em contraposição ao modelo exportador dominante.
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Além disso, Amaro alertou para os impactos da chamada “crise civilizatória”, marcada pelo aumento da violência, do adoecimento mental e da desinformação digital. Ele criticou a disseminação de notícias falsas e os ataques cibernéticos, que aprofundam o isolamento e a fragmentação social nas comunidades.
Jaime Amorim, dirigente histórico do MPA e representante da Via Campesina Internacional, aprofundou a análise geopolítica, apontando para a perda de hegemonia dos Estados Unidos e a consolidação de uma nova disputa entre o bloco liderado por essa nação e a Rússia.
Amorim ressaltou a agressividade política e econômica que pode surgir em momentos de declínio imperial, especialmente em relação aos países da América Latina.
Desafios e Propostas para a Agricultura Camponesa
A coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Ana Paula Perles, relacionou o avanço da extrema direita no Brasil às transformações políticas iniciadas em 2013, que abriram caminho para o surgimento de um projeto baseado no individualismo e no enfraquecimento da organização coletiva.
Ana Paula criticou o discurso do empreendedorismo, que enfraquece os direitos trabalhistas e fragmenta a organização, e defendeu a retomada de políticas públicas de abastecimento e estoques de alimentos, considerando o estoque de alimentos como soberania nacional.
“Cada família camponesa desse país tem que ter uma mecanização para garantir a juventude no campo. Isso não é propaganda, é crédito e financiamento”, disse. A discussão também abordou a necessidade de fortalecer a agricultura camponesa, com investimentos em infraestrutura e crédito, além de garantir a mecanização para as famílias do campo.
Ana Paula Perles enfatizou a importância de ampliar a presença dos movimentos populares nas redes sociais e na disputa da narrativa política no ambiente digital, defendendo a “radicalização completa da democracia” e o investimento público nas periferias urbanas e comunidades camponesas.
A necessidade de disputar as redes sociais e de combater a desinformação foi reforçada por Anderson Amaro, que definiu o cenário atual como uma “guerra invisível” marcada por sabotagens, fake news e ataques cibernéticos.
Ao encerrar o debate, Anderson Amaro reafirmou que a saída para a crise passa pela construção de soberanias alimentar, territorial, hídrica, energética, além do fortalecimento das organizações populares de base. “O povo só terá vez e voz se a gente construir isso a partir da nossa comunidade e consolidar esse poder que vai nascer da nossa base”, concluiu.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



