Crise no STF prejudica reeleição de Lula, admitem aliados do presidente

Aliados de Lula reconhecem que crise no STF favorece adversário e reduz chances de reeleição em 2026.

22.08.2026 — O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha no Rio de Janeiro: o evento “Lula no Rio de Janeiro: O Brasil Pronto Pra Mais”, realizado no Estádio Moça Bonita, Rio de Janeiro – RJ. Foto: Ricardo Stuckert

Integrantes da própria campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitem que a crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) está prejudicando a candidatura à reeleição em 2026. O próprio Lula fez o mesmo tipo de reconhecimento, ao atribuir ao presidente da Corte, Edson Fachin, a responsabilidade de evitar que o escândalo Master “atrapalhe as eleições”.

Na prática, a preocupação é que o caso favoreça o principal adversário do petista e outros nomes da oposição.

O dano eleitoral, segundo avaliam fontes da campanha, é a expressão de uma crise maior, que atinge o que chamam de “sistema” — os Três Poderes, o sistema tributário e os vários códigos e regulações. Esse desgaste sempre prejudica o incumbente, no caso Lula.

O fenômeno, aliás, não é exclusividade brasileira: atualmente, tem se repetido com ênfase em países vizinhos.

Mau humor do eleitorado e riscos na reta final

Para quem busca vencer uma eleição considerada muito apertada, Lula enfrenta ainda dois outros fatores preocupantes. O primeiro é o mau humor de uma parcela significativa do eleitorado em relação ao poder de compra e ao endividamento. O segundo é o arraigado temor relativo à segurança pública.

A soma desses fatores já aparece nas pesquisas e também nas análises de agências especializadas em cenários de risco. Essas consultorias vêm reduzindo, de forma cautelosa porém consistente, as probabilidades de vitória do presidente. A questão central, como em qualquer eleição, é identificar se o que parece ser uma tendência é algo passageiro ou duradouro.

O dilema de Lula com o Supremo

É nesse ponto que a crise no Supremo ganha peso. Por si só, o desgaste na Corte talvez não fosse decisivo, mas se soma a outros elementos negativos. No curtíssimo prazo, o cenário cria para Lula uma questão para a qual ainda não há resposta clara: como se afastar do STF sem, de fato, afastar – se de um tribunal de quem tanto depende politicamente e institucionalmente?

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O presidente precisa do apoio da Corte em pautas estratégicas do governo, mas ao mesmo tempo vê o envolvimento do STF em escândalos como o Master corroer sua imagem junto ao eleitorado. A dificuldade de equilibrar esses dois lados deve marcar os próximos meses da campanha.