
Um novo capítulo da crise no sistema prisional do Distrito Federal se desenrolou nesta terça-feira, dia 7. Após cerca de quinze dias de suspensão do serviço voluntário, realizado em folgas nas unidades prisionais, os policiais penais suspenderam o movimento.
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Isso ocorreu sem que houvesse avanços significativos nas negociações com o Governo do Distrito Federal (GDF).
A decisão foi tomada em um cenário de manifestações simultâneas na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e no Palácio do Buriti. Paralelamente, os familiares que protestavam em frente à sede do governo conseguiram uma reunião com a governadora Celina Leal (PP).
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Neste encontro, Bruna Oliveira, presidente do movimento Mães e Esposas em Luta (MEL), confirmou um compromisso importante: as visitas presenciais serão retomadas normalmente a partir da quarta-feira, dia 8. Apesar deste anúncio positivo, o clima entre as famílias e os agentes ainda é de grande cautela.
Segundo Oliveira, a luta não cessou. Ela enfatizou que, embora tenha sido possível garantir o retorno dos policiais penais ao trabalho, a batalha por dignidade dos detentos no sistema penitenciário do DF persiste.
A mobilização dos policiais penais, que começou no início de março, expôs a fragilidade de um sistema que opera no limite. O Sindicato dos Policiais Penais do Distrito Federal (Sindpol) reivindica a regulamentação da carreira e a inclusão definitiva no Fundo Constitucional do DF, recurso federal destinado à segurança, saúde e educação local.
Para o presidente do Sindpol, Paulo Rogério, o movimento é um protesto contra o descaso administrativo. Ele apontou que a categoria alega sofrer com sete anos de sabotagem, citando inconsistências enviadas pelo governo local.
Rogério ressaltou que o pedido vai além de um simples aumento salarial, focando no cumprimento de mandamentos constitucionais. Ele questionou o valor da saúde e da vida dos agentes, visto que a Polícia Penal não teve reajuste por não estar no Fundo Constitucional.
Outro ponto crítico levantado pelo sindicato é o déficit de pessoal. Atualmente, há cerca de 2.370 policiais ativos, mas seriam necessários mais 1.680 profissionais para gerir o sistema de maneira adequada.
Enquanto os policiais manifestavam na CLDF, familiares de custodiados estavam em frente ao Palácio do Buriti. Lindinalva Martins criticou a violação do direito de visita, que, segundo ela, está previsto na Constituição.
As famílias afirmam ser o principal suporte dos internos diante do que consideram um abandono estatal. Keila Mara, esposa de um detento no Complexo da Papuda, celebrou a suspensão da paralisação, mas alertou que o direito de visita não pode ser usado como moeda de troca.
Em um comunicado aos familiares, Bruna Oliveira detalhou que todas as visitas canceladas, incluindo as das crianças, serão repostas. Ela mencionou o compromisso da governadora de agendar uma reunião com a Seape para alinhar demandas de higiene e alimentação.
O coletivo MEL agora foca no retorno das cantinas e na extensão do horário de visitação. A presidente do movimento reforçou a necessidade de qualidade de vida no cárcere, defendendo visitas em tempo integral, das 9h às 18h.
Keka Bagno, da Comissão de Direitos Humanos, alertou para a importância de manter a pressão popular. Ela afirmou que os direitos humanos não são um favor, mas um dever do Estado, e que a ocupação das ruas pode ser necessária caso as visitas não retornem conforme o esperado.
Bruna Oliveira concluiu reforçando que, enquanto não houver dignidade plena, a luta continuará, mantendo o foco na defesa dos direitos das pessoas privadas de liberdade no DF.
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Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.