Crescimento da População Idosa no Brasil Impulsiona Demanda por Geriatras Especializados

O Brasil enfrenta um envelhecimento acelerado, com a população idosa crescendo rapidamente. Descubra como a demanda por geriatras está mudando!

Envelhecimento da População Brasileira e a Demanda por Geriatras

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que, em 2023, os idosos deixaram de ser a menor parte da população brasileira e, nas próximas duas décadas, se tornarão a maioria no país. A população com 60 anos ou mais cresceu 56% em comparação ao Censo Demográfico de 2010, totalizando cerca de 32.113.490 pessoas, o que representa 15,6% da população total do Brasil.

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Com o aumento dessa faixa etária, surgem também preocupações relacionadas à saúde e ao bem-estar dos idosos. Uma notícia positiva é que o número de médicos geriatras no Brasil tem crescido. Contudo, ainda há uma carência de profissionais na área.

A especialidade, que se dedica ao cuidado da saúde de pessoas idosas, registrou um aumento de 378,4% entre 2011 e 2024, conforme dados da Demografia Médica, publicação do CFM (Conselho Federal de Medicina) e da USP (Universidade de São Paulo).

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Formação e Distribuição de Geriatras no Brasil

Em 2011, o Brasil contava com apenas 662 geriatras. Atualmente, esse número ultrapassa 3 mil profissionais com título de especialista reconhecido, o que equivale a 1,49 especialista para cada 100 mil habitantes. A maioria dos geriatras é do sexo feminino, representando 62,1%, enquanto os homens correspondem a 37,9%.

A região Sudeste concentra a maior parte desses especialistas, com 58,1%, seguida pelo Nordeste com 16,9%, Sul com 14,1%, Centro-Oeste com 8,6% e Norte com 2,3%.

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Marco Túlio Cintra, geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), destaca que o Brasil está passando por um acelerado processo de envelhecimento populacional. Apesar do aumento no reconhecimento da especialidade, o número de médicos geriatras ainda é insuficiente para atender à crescente demanda.

Ele enfatiza a importância de expandir a formação de geriatras e sensibilizar outros profissionais de saúde sobre os princípios do cuidado geriátrico.

Desafios e Cuidados na Geriatria

A formação de geriatras e a crescente necessidade desses profissionais refletem uma mudança no perfil da população. Doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, osteoporose, demências e cardiopatias, tornam-se mais comuns com o envelhecimento e requerem acompanhamento contínuo.

Cintra explica que o geriatra não apenas se especializa no cuidado do idoso, mas também realiza prevenção, diagnóstico, tratamento e gerenciamento de múltiplas condições clínicas.

O objetivo do geriatra é manter a autonomia, funcionalidade e qualidade de vida dos pacientes, respeitando as singularidades e prioridades de cada um. O acompanhamento se estende por todas as fases do envelhecimento, desde os primeiros sinais da transição para a velhice até momentos de maior fragilidade, incluindo cuidados paliativos e apoio à pessoa idosa e sua família.

Cintra recomenda que o atendimento com um geriatra seja buscado o quanto antes, pois pessoas mais jovens com doenças crônicas complexas ou que desejam se preparar para um envelhecimento saudável também podem se beneficiar da avaliação geriátrica.