Copel: relicitação de 40 usinas pode gerar ágio de até 113%

A Copel defende que as concessões de hidrelétricas vencidas ou próximas do vencimento passem por novos leilões, em vez de prorrogações calculadas por planilhas. A posição foi defendida por Diogo Mac Cord, vice-presidente de Estratégia, Novos Negócios e Transformação Digital da companhia, em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN.
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Para o executivo, a competição entre interessados é a única forma de determinar o verdadeiro valor dos ativos e garantir maior retorno para a sociedade. A discussão ocorre enquanto o Ministério de Minas e Energia (MME) coloca em consulta pública as regras para essas concessões.
Disputa revela valor real, diz executivo
Mac Cord argumenta que prorrogar contratos com base apenas em avaliações econômicas pode impedir o país de capturar o valor que os investidores estariam dispostos a pagar. “Quando você prorroga uma concessão simplesmente por uma planilha de Excel, vira briga de premissa”, afirmou.
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Segundo ele, ao colocar os ativos em competição, o governo consegue testar diferentes expectativas das empresas sobre preços de energia e investimentos necessários. “A gente está falando de 15 gigawatts distribuídos em 40 usinas. É muita coisa”, disse, ao dimensionar o conjunto de empreendimentos em discussão.
Exemplo do GSF mostra ganho com leilão
Como exemplo dos benefícios da competição, Mac Cord citou o leilão relacionado ao GSF, sigla em inglês para o risco hidrológico. Ele afirmou que houve usina com ágio de até 113% na disputa. Realizado pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) em agosto de 2025, o mecanismo negociou títulos ligados a valores não pagos no mercado de curto prazo por causa de disputas judiciais.
Na avaliação do executivo, uma solução baseada apenas em planilhas teria deixado de capturar parte relevante do valor. “Você teria deixado na mesa 60% do valor“, afirmou, comparando o resultado do mecanismo concorrencial com o cenário hipotético de uma prorrogação calculada por Excel.
Engie quer prorrogação; Copel e Axia são contra
A posição da Copel está longe de ser consenso no setor elétrico. A francesa Engie defende a prorrogação do contrato da hidrelétrica de Salto Santiago, no Paraná, associada a investimentos para ampliar a potência da usina. Já a Copel e a Axia (antiga Eletrobras) são contra a relicitação sem competição.
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Questionado sobre o fato de a Copel ter tido concessões renovadas no processo de privatização — as usinas de Foz do Areia, Segredo e Salto Caxias foram prorrogadas por 30 anos, com contratos assinados em novembro de 2024 —, Mac Cord sustentou que a diferença está na existência de competição na própria desestatização.
A antiga Eletrobras renovou as concessões de 22 hidrelétricas por 30 anos em 2022, também no contexto de sua privatização.
“Quando você tem um processo competitivo, você testa”, disse o executivo, citando os casos de Copel, Eletrobras e da antiga Gerasul (arrematada pela Engie) para sustentar o argumento. Mac Cord afirmou que a Copel participaria de novos leilões caso a União optasse pela relicitação.
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Redação Clique Fatos
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