Cooperação internacional é essencial no combate ao crime organizado

A colaboração entre países é crucial para enfrentar o crime organizado, especialmente devido à complexidade do tráfico de drogas na América do Sul.

Sergio Etchegoyen, ex-ministro-chefe do GSI em entrevista ao WW

A cooperação internacional é vista como essencial no combate ao crime organizado no Brasil, segundo o ex – ministro – chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Sergio Etchegoyen, em entrevista ao WW. Durante a conversa, o general abordou a possível participação dos Estados Unidos no enfrentamento ao crime e os limites dessa colaboração.

Questionado sobre um cenário em que Flávio Bolsonaro (PL) assumisse a presidência, especialmente com seu interesse em classificar grupos criminosos como organizações terroristas e promover operações conjuntas com militares americanos no Brasil, Etchegoyen destacou as restrições legais dessa proposta. “A nossa lei não acolhe, o nosso marco legal não admite.

Eu não vejo o que possa mudar aqui dentro”, declarou.

Influência americana e limites legais

O ex – ministro também comentou que a designação de organizações criminosas como terroristas representa uma tentativa unilateral dos Estados Unidos de estender sua legislação para além de suas fronteiras. Ele afirmou: “Isso não vai acontecer, como em outras coisas não aconteceram.” Contudo, reconheceu que essa influência pode se manifestar indiretamente.

Para Etchegoyen, a cooperação necessária vai além da relação com os EUA. O Brasil faz fronteira com dez países, sendo que três — Colômbia, Peru e Bolívia — são grandes produtores de cocaína. Ele questionou: “Como é que a gente vai combater se não cooperar com a Colômbia, com o Peru e com a Bolívia?

Como é que a gente vai combater drogas se não cooperar com o Paraguai?” Segundo ele, o tráfico de drogas é um grande negócio que transita por áreas onde a contenção é insuficiente, tornando vital a cooperação multilateral.

Relações diplomáticas e alinhamentos ideológicos

O general criticou também os extremos nas relações diplomáticas do Brasil, tanto pela “predileção norte – americana” quanto pelo “anti – americanismo de colégio secundário”. Ele ressaltou que o Brasil sempre se destacou pela sua postura firme nas relações internacionais e pela capacidade de dialogar amplamente. “O Brasil estava disponível para intermediar qualquer conflito que houvesse porque nós tínhamos diálogo e boas relações com todo mundo”, afirmou.

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No contexto geopolítico atual, Etchegoyen alertou sobre os perigos de alinhamentos ideológicos que desconsideram a realidade geográfica do Brasil. Ele observou que o mundo está caminhando para uma ordem multipolar, na qual o país precisará equilibrar interesses entre diversas potências globais, como Índia, China, União Europeia e Estados Unidos. “Nós perdemos esse talento”, lamentou, enfatizando mais uma vez a importância da cooperação internacional.