Contagem lenta no Peru: Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputam voto a voto!

A contagem dos votos do segundo turno presidencial no Peru avança lentamente, com Keiko Fujimori e Roberto Sánchez em uma disputa acirrada. Descubra os

10/06/2026 05:51

4 min

Contagem lenta no Peru: Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputam voto a voto!
(Imagem de reprodução da internet).

A apuração do segundo turno da eleição presidencial do Peru avança lentamente

A contagem dos votos do segundo turno da eleição presidencial no Peru, realizada em 7 de junho, está progredindo de forma lenta. A autoridade eleitoral do país informou que a conclusão da contagem deve ocorrer até julho. A situação é ainda mais complicada devido à disputa acirrada entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, que estão separados por apenas algumas dezenas de milhares de votos.

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Essa proximidade na contagem é um dos fatores que contribuem para a lentidão do processo, já que será necessário um avanço significativo para definir quem será o próximo presidente.

Desafios na apuração dos votos

Dois fatores principais dificultam a apuração dos votos no Peru: o método de votação e a geografia do país, que possui terrenos montanhosos e áreas de selva. O sistema de voto impresso exige que as cédulas sejam enviadas para centros específicos para contagem.

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Muitas vezes, é necessário utilizar barcos para acessar regiões de selva ou fazer longas viagens com burros em áreas sem estradas. Flavia Loss, professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia, destaca que a contagem é feita manualmente e que os resultados precisam ser digitalizados com as atas.

Ela observa que a ineficiência da internet e a falta de pessoal para trabalhar também contribuem para a demora.

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A especialista ressalta que a logística e a estrutura do processo eleitoral são problemas significativos para o país. Comparado a nações como Equador e Bolívia, que têm processos semelhantes, o Peru apresenta deficiências na organização e na rapidez da contagem dos votos.

Diferenças regionais e a contagem dos votos

Carolina Pedroso, professora de Relações Internacionais da Unifesp, aponta que a demora na contabilização dos votos de grandes centros urbanos, como os da região amazônica, impacta diretamente o resultado. Isso se deve à diferença nas preferências eleitorais entre áreas urbanas e rurais, o que ajuda a explicar a liderança inicial de Keiko Fujimori, que foi posteriormente superada por Roberto Sánchez.

Nos últimos quatro pleitos, os grandes centros urbanos tendem a apoiar Fujimori, enquanto no campo, especialmente no sul, essa tendência não se repete.

Uma proposta para um processo de votação digital foi rejeitada em dezembro, após o Conselho Nacional Eleitoral considerar o projeto inviável devido a problemas técnicos e de segurança identificados em uma auditoria. O relatório do ONPE analisou a arquitetura tecnológica do sistema e os protocolos de cibersegurança, além da proteção de dados pessoais.

Voto do exterior e complexidade do processo eleitoral

A contagem dos votos de peruanos residentes no exterior também contribui para a lentidão. Com mais de 1,2 milhão de cidadãos aptos a votar fora do país, o que representa 4,4% do cadastro eleitoral, a participação costuma ser menor. As cédulas precisam ser transportadas de avião até Lima, o que pode atrasar ainda mais a contabilização.

Carolina Pedroso observa que a presença significativa de peruanos em países asiáticos pode prolongar ainda mais a chegada das atas à América do Sul.

O processo eleitoral no Peru é complexo, dificultando a proclamação do vencedor, especialmente em uma eleição tão disputada. O ONPE é responsável pela organização do pleito, incluindo a gestão das sessões eleitorais e o cadastramento de eleitores.

Após a contagem, as atas são enviadas ao JEE (Júri Eleitoral Especial), que atua apenas durante as eleições para resolver apelações e controvérsias locais. Até o início da noite de terça-feira (9), mais de 1.500 atas estavam programadas para serem enviadas ao JEE, e o Júri Nacional de Eleições também precisa validar os resultados.

Contexto político e judicialização

As especialistas destacam o contexto político polarizado do Peru, que gera desconfiança na política. Este será o nono presidente do país em dez anos. Francisco Sagasti, ex-presidente do Peru, comentou que essa desconfiança torna o processo mais lento, exigindo uma verificação minuciosa de todas as atas.

Qualquer contestação pode levar a questionamentos judiciais, o que prolonga ainda mais a espera pelo resultado final.

Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Unifesp, enfatiza que no Peru, erros materiais mínimos, como assinaturas fora do campo ou rasuras, podem invalidar a contagem imediata. As regras rígidas foram estabelecidas para evitar fraudes, mas isso resulta em um efeito colateral de paralisia.

Uma ata contestada ou retida por inconsistências é retirada da contagem regular e encaminhada para o rito judicial, aguardando a decisão do Tribunal Eleitoral sobre sua validade.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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