Consun Aponta Repúdio e Roda de Conversa no Quilombo Kédi em Porto Alegre
Consun promove roda de conversa no Quilombo Kédi em Porto Alegre após ataques
Reunião do Consun Aponta Repúdio aos Ataques ao Quilombo Kédi
Em 29 de maio de 2026, o Consun (Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul) aprovou uma moção de repúdio em resposta aos ataques contra a comunidade do Quilombo Kédi, localizado no bairro Boa Vista, em Porto Alegre. O conflito fundiário, que já durava anos, ganhou nova intensidade entre março e abril de 2026, com a demolição de mais de 30 casas, algumas realizadas durante o descumprimento de ordens judiciais.
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A iniciativa do CHIST (Centro de Pesquisa em História) da UFRGS, em parceria com a Frente Quilombola no RS, visa promover uma visita guiada ao quilombo, seguida de uma roda de conversa com representantes da comunidade e da frente. O evento, aberto a estudantes e à comunidade externa, ocorre nesta terça-feira (9) e representa um passo institucional em relação a um conflito que envolve diretamente comunidades com as quais pesquisadores da universidade têm trabalhado há anos, através do Nega/UFRGS, que produziu cartografias sociais do território.
Contexto Histórico e Desafios Atuais
O Quilombo Kédi ocupa uma área no bairro Boa Vista, uma zona de alto padrão de Porto Alegre, situada entre o Country Club e a construção da Alameda Jardins Country Tower Boulevard, com a participação das incorporadoras Country Empreendimentos e CFL.
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Em agosto de 2022, a Prefeitura de Porto Alegre cedeu um terreno de 15 mil metros quadrados à Country Empreendimentos, através de um Termo de Conversão de Área Pública, em troca de R$ 8,3 milhões, com o objetivo de financiar o reassentamento das famílias quilombolas.
A Country Empreendimentos é liderada pelos executivos Zaffari, enquanto o Grupo Zaffari, maior rede de supermercados do Rio Grande do Sul, controla os shoppings Bourbon e os atacadões Cestto.
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Ação Judicial e Decisões Recentes
Em março de 2026, uma juíza do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul homologou 45 acordos entre o município de Porto Alegre e moradores do quilombo, levando à demolição das casas. A assessoria jurídica da comunidade acionou a Justiça Federal, que em 8 de março emitiu uma liminar reforçando a decisão do TRF-4 de outubro de 2025, que proibia as demolições e estabelecia uma multa de 20 salários mínimos por descumprimento.
A Polícia Federal esteve presente no quilombo em 9 de março, mas não presenciou as demolições. Em 11 de março, casas foram demolidas, sem que a multa fosse aplicada.
Em abril de 2026, a Justiça Federal reconheceu o descumprimento da liminar pelo município de Porto Alegre, aplicando uma multa de 60 salários mínimos e intimando a prefeitura a se abster de qualquer ação nesse sentido. A decisão da juíza estadual que homologou os acordos foi contestada pela Defensoria Pública do Estado do RS, que pediu sua nulidade, alegando que a competência do caso pertence à Justiça Federal, entendimento já firmado pelo TJ-RS em dezembro de 2025.
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O valor de R$ 180 mil oferecido como indenização supera os R$ 113 mil do bônus-moradia legalmente previsto, e a assessoria jurídica da comunidade aponta irregularidades no processo, com relatos de pessoas não residentes no quilombo e de mortos que receberam indenização.
UFRGS e o Quilombo Kédi
A UFRGS tem uma longa história de envolvimento com o Quilombo Kédi, desde a entrega do Pleito de Demarcação Territorial Quilombola em 2023, até a produção de cartografias sociais do território. A professora Cláudia Luiza Pires, do Departamento de Geografia da UFRGS, destaca a importância histórica da comunidade quilombola para a formação de Porto Alegre, e critica a tentativa de negociar a identidade quilombola nos contratos de remoção, considerando-a uma forma de violência colonialista.
A reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, enfatizou o compromisso da universidade com a diversidade e o respeito às culturas, e sugeriu que o empreendimento empresarial encontre outra área com menos significado histórico e de diversidade.
O CHIST organizou uma visita guiada ao quilombo com posterior roda de conversa, voltada prioritariamente a estudantes de história da UFRGS, para quem conta como horas de extensão, e aberta também a alunos de outros cursos e à comunidade externa, para quem gera certificado de horas complementares.
A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Frente Quilombola no RS.