Consumo de álcool pode triplicar risco de fibrose hepática, alerta estudo recente
Estudo revela que o consumo ocasional de álcool pode triplicar o risco de fibrose hepática em quem já tem gordura no fígado. Entenda os detalhes!
Risco de Fibrose Hepática Aumenta com Consumo de Álcool
O consumo excessivo de álcool, mesmo que ocasional, pode triplicar o risco de fibrose no fígado em indivíduos que já apresentam acúmulo de gordura no órgão, conforme um estudo publicado em abril na revista Clinical Gastroenterology and Hepatology.
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Os resultados destacam que não apenas a quantidade total de álcool é relevante, mas também a maneira como ele é consumido.
A hepatologista Carolina Pimentel, do Hospital Israelita Albert Einstein, analisa que “o estudo apresenta evidências robustas de que o padrão de consumo de álcool deve ser considerado um fator de risco. É importante prestar atenção àqueles que consomem grandes quantidades de álcool ocasionalmente, o que pode parecer um ‘consumo recreativo’.”
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A pesquisa analisou dados de 8 mil participantes do National Health and Nutrition Examination Survey, coletados entre 2017 e 2023. Os pesquisadores descobriram que o consumo excessivo de álcool, pelo menos uma vez por mês — quatro ou mais doses para mulheres e cinco ou mais para homens — está associado a um risco maior de fibrose hepática em comparação com a ingestão da mesma quantidade de álcool diluída ao longo do tempo.
Preocupações com a Esteatose Hepática
Os achados são alarmantes, especialmente considerando o aumento da esteatose hepática, conhecida como “gordura no fígado”. Essa condição, que está relacionada principalmente ao estilo de vida, afeta cerca de 40% da população adulta global e pode levar a inflamação crônica, cicatrizes, cirrose e até câncer.
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Atualmente, a esteatose hepática é uma das principais causas de transplante de fígado.
Nos últimos anos, especialistas têm revisado a classificação dessas doenças. Desde 2023, o termo “fígado gordo” passou a ser oficialmente denominado como doença hepática metabólica associada à gordura (MASLD), uma vez que o acúmulo de lipídios está ligado a várias alterações metabólicas, como obesidade, hipertensão e altos níveis de glicose e triglicerídeos.
Além disso, se o indivíduo consome álcool com frequência, a condição é classificada como doença hepática metabólica e alcoólica (MetALD). O novo estudo sugere que uma parte dos pacientes atualmente classificados como MASLD deveria ser considerada em uma categoria de maior risco relacionada ao álcool, com cerca de 16% desses indivíduos relatando episódios ocasionais de consumo excessivo.
A Importância do Rastreamento e Acompanhamento
Carolina Pimentel enfatiza que o artigo ressalta a necessidade de um rastreamento mais amplo e acompanhamento para esses pacientes. “Não é ‘só uma gordurinha’”, alerta. “O fígado pode sofrer silenciosamente por um longo período. Mesmo com fibrose ou cirrose, ele pode manter suas funções sem apresentar sintomas.
Quando os sintomas surgem, pode ser que a pessoa já esteja com câncer hepático ou necessite de um transplante.”
Para evitar complicações, é fundamental realizar check-ups regulares e identificar precocemente os sinais de esteatose, evitando que a condição evolua de maneira silenciosa.