Jason Vieira critica resistência do Congresso à disputa orçamentária e aponta para o contínuo gasto do governo sem cortes urgentes.
O economista Jason Vieira, da LÉV, avalia que a derrubada da Medida Provisória (MP) nº 1303/25 na Câmara dos Deputados evidenciou um conflito de interesses entre o governo e o Congresso Nacional. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Vieira ressaltou que a situação demonstra que o governo não possui margem de manobra para flexibilizar o controle de gastos, conforme o esperado após a reforma do Imposto de Renda.
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A Medida Provisória, conhecida como “Taxação BBB” (referindo-se a bilionários, bancos e bets), propunha aumentar a tributação sobre aplicações financeiras no Brasil e no exterior, além de casas de apostas e criptomoedas. Após sua apresentação, o projeto foi retirado de pauta e perdeu validade logo após a aprovação na Câmara, por unanimidade, do Projeto de Lei (PL) 1087/25, que isenta de pagamento do Imposto de Renda trabalhadores formais com salários até R$ 5.000 mensais.
Vieira argumenta que a resistência dos parlamentares não se baseia em preocupações genuínas com o equilíbrio fiscal. Segundo ele, o Congresso Nacional, embora fiscalista, não o é de forma consistente, devido a pressões do Executivo. A disputa ocorre porque o governo aloca uma parcela significativa do orçamento, especialmente com gastos obrigatórios, deixando pouco espaço para emendas e outras despesas de interesse dos deputados.
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O economista critica a dependência do governo em medidas de arrecadação, afirmando que a proposta é mais focada em aumentar a receita do governo, em vez de reduzir os gastos. Ele destaca que o governo continua a aumentar seus gastos sem sinalizar cortes. Vieira acredita que o país não possui uma política fiscal de longo prazo, com o endividamento crescente, projetado para atingir 80% do Produto Interno Bruto (PIB).
Vieira defende que o debate sobre justiça tributária só fará sentido após a realização de um ajuste fiscal e a consolidação da reforma tributária. Ele critica o uso do discurso de equidade fiscal para justificar medidas voltadas a ampliar a receita do governo. O economista também propõe uma revisão de isenções e incentivos a setores como refrigerantes e ao modelo da Zona Franca de Manaus, além de uma taxação mais rigorosa sobre as apostas online, que, segundo ele, representam cerca de 14% da renda do brasileiro.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.